A Polícia moçambicana ativou uma segunda escolta militar de viaturas na N1, a principal estrada de Moçambique, no troço Nhamapadza-Caia, palco de recentes ataques a carros civis, disse esta segunda-feira à Lusa fonte policial.

Sididi Paulo, oficial de imprensa no comando da Polícia da República de Moçambique (PRM) de Sofala, disse que, face às ameaças de segurança, foi decidido ativar desde sábado uma escolta obrigatória num troço de cem quilómetros entre Nhamapadza e Caia, depois de na semana pssada já o ter feito entre Save e Muxúnguè.

“No troço Nhamapadza-Caia [as escoltas militares] iniciaram-se no sábado às 14:00. Estamos a falar de quatro a seis colunas por dia”, explicou Sididi Paulo, salientando que, desde que foram ativadas as colunas protegidas por militares, não foram registados novos ataques.

A 18 de fevereiro, as autoridades moçambicanas reativaram escoltas militares no troço Save-Muxúnguè, depois de uma nova escalada de ataques a viaturas civis, atribuídos a homens armados da oposição Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), que já provocaram dezena de feridos.

“As escoltas estão a funcionar normalmente, permitindo assim a circulação de pessoas e bens”, declarou Sididi Paulo, reiterando que “não há registos de ataques desde o dia 17 de fevereiro na província de Sofala”.

A Renamo, através do seu departamento de defesa e segurança, anunciou a 08 de fevereiro a intenção de instalar controlos nos troços Inchope-Save e Inchope-Caia, junto da N1. Além de outros na N6, Inchope-Machipanda e N7, cruzamento de Tete até o rio Zambeze.

O primeiro ataque foi registado a 12 de fevereiro, no troço Save-Muxúnguè, e que a Policia atribuiu a homens armados da Renamo. Dois dias depois um outro ataque foi registado a 300 quilómetros a norte do local do primeiro ataque, no troço Nhamapadza-Caia.

No sábado foi registado o primeiro ataque a viaturas na província de Manica, na N7, em Chiuala, distrito de Barue, informou em conferência de imprensa Armando Mude, comandante provincial da polícia.

Os confrontos entre as forças de defesa e segurança e o suposto braço armado da Renamo já provocaram duas baixas, uma de cada lado, além da captura de pelo menos três atacantes, supostamente pertencentes ao braço armado da oposição.

Moçambique vive uma situação de incerteza política há vários meses e o líder da Renamo ameaça tomar o poder em seis províncias do norte e centro do país, onde o movimento reivindica vitória nas eleições gerais de outubro de 2014.

Esta é a pior crise em Moçambique desde o Acordo de Cessação de Hostilidades Militares, assinado a 05 de setembro de 2014 pelo ex-Presidente Armando Guebuza e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, colocando termo aos ataques na N1.

A violência política voltou no entanto a Moçambique a seguir às eleições, agravando-se nos últimos meses, com acusações mútuas de ataques, raptos e assassínios.

A Renamo pediu recentemente a mediação do Presidente sul-africano, Jacob Zuma, e da Igreja Católica para o diálogo com o Governo, que se encontra bloqueado há vários meses.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, tem reiterado a sua disponibilidade para se avistar com o líder da Renamo, mas Afonso Dhlakama considera que não há mais nada a conversar depois de a Frelimo ter chumbado a revisão pontual da Constituição para acomodar as novas regiões administrativas reivindicadas pela oposição e que só retomará o diálogo após a tomada de poder no centro e norte do país.