Cerca de 250 camiões de transporte de animais e de cereais, oriundos de vários pontos do país, estão a rumar a Lisboa para participarem num protesto contra a crise no setor da suinicultura. A Agência Lusa fala em cerca de 300 camiões.

Os veículos estão neste momento a dirigir-se para o Terreiro do Paço, onde vários suinicultores já estão reunidos em frente ao Ministério da Agricultura. O grupo de camiões já chegou à Eixo Norte-Sul e está neste momento a bloquear o trânsito na Segunda Circular e nas principais artérias da cidade. A maioria traz bandeiras negras e cartazes com a frase “consuma porco português”, que incentivam à compra de carne de porco nacional.  

Trânsito cada vez mais complicado em Lisboa

À medida que as horas vão passando, o trânsito vai-se tornando cada vez mais complicado em Lisboa. As zonas do aeroporto e do Campo Grande são as mais afetadas pela manifestação, situação que tem vindo a ser piorada pelos vários acidentes que têm vindo a ser registados. 

De modo a facilitar o trânsito e a circulação dos veículos de emergência, a PSP não está a deixar entrar os camiões no centro de Lisboa, decisão que se prende “unicamente” com a segurança dos cidadãos. À Lusa, Rui Costa, porta-voz do Comando Metropolitano de Lisboa, esclareceu que, se os manifestantes seguissem para o centro, “corríamos o risco de ficarem impedidas avenidas fundamentais da cidade e os cidadãos da cidade não teriam capacidade de mobilidade e a segurança deles ficaria comprometida, nomeadamente em relação à saída de veículos de emergência e socorro“.

Protesto de suinicultores em Lisboa

Foram cerca de 300 os camiões que se deslocaram a Lisboa (ANDRÉ KOSTERS/LUSA)

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A polícia mandou parar alguns dos veículos à beira da estrada, junto à Segunda Circular, pedindo aos manifestantes que esperassem pelos restantes veículos para que seguissem todos juntos. Cerca de meia hora depois, deu ordem de marcha, voltando a mandar parar os manifestantes mais à frente, no Eixo Norte-Sul, junto à Alta de Lisboa.

Os manifestantes já começaram entretanto a movimentar-se, e seguem em direção à saída norte. De acordo com Rui Costa, a PSP está a encaminhar os camiões para a Avenida Santos e Castro, na zona da Alta de Lisboa.

“Vim-me embora. É uma falta de respeito e de consideração”

Um grupo de cinco suinicultores foi entretanto recebido no Ministério da Agricultura. Com eles foi a Piggy, uma porquinha de apenas um mês, com o objetivo de ser oferecida ao ministro Luís Capoulas Santos. Com ela, seguia também uma carta que dizia: “Sou a porquinha Piggy. Adoro os meus donos, mas eles começam a não ter dinheiro para me dar de comer.” A Piggy levava o também o seu boletim de vacinas e um manual de instruções. 

À saída da curta reunião, o porta-voz do gabinete de crise da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS), João Correia, mostrou-se indignado, referindo que, apesar do que lhes foi inicialmente transmitido, não foram recebidos por Luís Capoulas Santos. “Infelizmente para a suinicultura portuguesa, o governo português trata-nos desta maneira”, disse aos jornalistas.

“Fomos recebidos pelo chefe de gabinete e pelo assessor do senhor ministro. Se calhar a partir de amanhã vou ter de dizer aos meus funcionários que vão passar eles a tratar dos meus fornecedores”, ironizou.

Questionado sobre o que foi dito na curta reunião, o suinicultor admitiu que nem chegou a haver conversa. “Eu levantei-me e vim-me embora. É uma falta de respeito e de consideração. Trabalhamos 365 dias por ano para dar sustento ao que temos em casa e a um sector que representa 600 milhões de euros na economia portuguesa.”

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O porta-voz do gabinete de crise disse que os dirigentes das associações de suinicultores iriam reunir-se de seguida para decidir que passo darão a seguir, admitindo que deverá ser tomada uma posição ainda hoje. 

“Estão aqui dez carrinhas de intervenção, parecemos uns criminosos” 

Aos jornalistas, João Correia explicou que a manifestação não “é um motim”, não percebendo o porquê das “dez carrinhas de intervenção”. “Parecemos uns criminosos, não se justifica este aparato. Isto não é um motim, mas temos de fazer barulho. Temos de nos fazer ouvir. Já há muitas artérias de Lisboa paradas e a ordem é buzina. É como nas raves, quando se diz ‘façam barulho!’.”

Em relação a uma possível reunião com o ministro da Agricultura, o porta-voz do gabinete de crise da FPAS admitiu que lhe foi dito que “se houver um espacinho na agenda, ainda vamos ser recebidos hoje”. “Se não formos, não vamos arredar pé, e ele vai ver-nos pelo menos quando sair.”

De acordo com informações avançadas pela SIC Notícias, os suinicultores planeiam reunir-se ao final do dia no Parque das Nações, num local ainda por definir. A informação foi desmentida por João Correia, que admitiu não ter informação “de que vai haver uma reunião de suinicultores no Parque das Nações”.

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João Correia, porta-voz do gabinete de crise da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (HUGO AMARAL/OBSERVADOR)

O protesto desta sexta-feira tem como objetivo chamar a atenção para um setor que está à “beira do colapso”. Todas as semanas, entram em Portugal 24 mil porcos vindos de Espanha, um número ao qual acresce um milhão de quilos de carne oriunda de outros países. A concentração foi organizada pelo gabinete de crise da FPAS, um grupo de trabalho criado no final do ano passado que quis manter a manifestação em segredo.