O primeiro grupo de migrantes que entraram ilegalmente na Europa, incluindo os refugiados provenientes da Síria, já foi deportado para a Turquia, a partir da Grécia. As deportações para território turco começaram esta segunda-feira de madrugada, na sequência do acordo entre a União Europeia e a Turquia a 18 de março.

O primeiro grupo, composto por 131 migrantes que estavam em território grego, embarcou na ilha de Lesbos, na Grécia e atracou já na cidade Dilki, na Turquia. Estes dados foram avançados à BBC pela Frontex, a agência europeia responsável por controlar as fronteiras. Outro grupo de migrantes deverá ser transferido esta segunda-feira, a partir ilha de Quios.

Migrants who camp out at the port of Chios watch early on April 4, 2016 the arriving of a Turkish catamaran to carry the first group of migrants to be sent back to Turkey. Greece sent a first wave of migrants back to Turkey on April 4 under an EU deal that has faced heavy criticism from rights groups. Under the agreement, designed to halt the main influx which comes from Turkey, all "irregular migrants" arriving since March 20 face being sent back, although the deal calls for each case to be examined individually. For every Syrian refugee returned, another Syrian refugee will be resettled from Turkey to the EU, with numbers capped at 72,000. / AFP / LOUISA GOULIAMAKI (Photo credit should read LOUISA GOULIAMAKI/AFP/Getty Images)

Migrantes na ilha de Quios veem chegar o catamarã turco que os haveria de levar de regresso à Turquia

Em 2015, cerca de um milhão de pessoas atravessou o mar Egeu em direção à Grécia, mas segundo as autoridades gregas e após a entrada em vigor do acordo UE-Turquia, o fluxo diminuiu de forma significativa.

Na sequência do encerramento da “rota dos Balcãs” no final de fevereiro, cerca de 50.000 exilados não abrangidos pelo acordo permanecem bloqueados na Grécia.

As ilhas de Quios e de Lesbos, têm recebido uma grande parte dos migrantes provenientes da Turquia e onde milhares de pessoas tentam ser registadas em centros sobrelotados.

A Turquia, que acolheu 2,7 milhões de refugiados sírios desde o início do conflito em 2011, tornou-se o ponto de partida de numerosos destes refugiados, mas também iraquianos, afegãos ou eritreus que pretendem alcançar as fronteiras da UE.

Na sexta-feira, a Amnistia Internacional (AI) acusou as autoridades turcas de forçarem diariamente o regresso de refugiados sírios ao seu país, assolado pela guerra, ao denunciar os efeitos perversos do acordo sobre os migrantes entre Bruxelas e Ancara.

Ao basear-se em informações recolhidas nas províncias fronteiriças do sul da Turquia, a organização de defesa dos direitos humanos afirmou que a polícia turca reagrupa e expulsa cerca de uma centena de sírios “quase diariamente desde meados de janeiro”.

A Turquia tem desmentido firmemente ter forçado os sírios a regressarem ao seu país, insistindo na manutenção da sua política de “porta aberta”.

Por cada um dos migrantes ilegais que será deportado para a Turquia, a União Europeia comprometeu-se a reinstalar um migrante legalizado no seu território. Assim, um primeiro grupo de sírios provenientes da Turquia é esperado esta segunda-feirana Alemanha. “De início são algumas dezenas, sobretudo famílias com crianças”, esclareceu o porta-voz do ministério do Interior alemão.

A chanceler alemã Angela Merkel é considerada a grande inspiradora deste controverso acordo, muito criticado por diversas ONG e pelo Alto comissariado para os refugiados da ONU.

Em troca da cooperação da Turquia para travar a atual vaga migratória, os líderes da UE concordaram em acelerar a liberalização dos vistos para os visitantes turcos, relançar as negociações de adesão e duplicar, para um total de seis mil milhões de euros, a ajuda que será concedida à Turquia até 2018, para melhorar as condições de vida dos milhões de sírios já refugiados naquele país.