Rádio Observador

Conselho de Estado

Draghi no Conselho de Estado: inovação ou “marketing institucional”?

O convite do Presidente para que Mario Draghi esteja no seu primeiro Conselho de Estado é visto por politólogos como "marketing institucional" e uma "inovação", num órgão consultivo "mais inclusivo".

AFP/Getty Images

Para o primeiro Conselho de Estado do mandato como Presidente da República, marcado para quinta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa convidou o Presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, e o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.

O politólogo António Costa Pinto (Instituto de Ciências Sociais), em declarações à agência Lusa, considerou que do ponto de vista da instituição presidencial, “trata-se da utilização deste órgão consultivo do Presidente da República num modelo mais inédito ou de inovação”.

“O que está em causa aqui é que Marcelo Rebelo de Sousa aparentemente vai inovar as funções e a utilização deste órgão, mas isto não é problema”, defendeu, considerando que este convite — que o líder do PCP, Jerónimo de Sousa considerou “no mínimo, estranho” – não confere qualquer ingerência.

Também o investigador de Ciência Política José Adelino Maltez disse à Lusa que “não há aqui um convite a uma entidade estranha ao exercício da função dos órgãos de soberania” nacionais já que há uma “nova realidade constitucional” desde que Portugal se vinculou “a uma série de princípios e a tratados internacionais”.

O Banco Central Europeu “deixou de ser estrangeiro” e o “Banco de Portugal deixou de ser uma entidade dependente do Estado português”, afirmou.

“Este convite dá tempo de antena, que é o objetivo de um dinamizador de uma instituição que estava meio adormecida, que é a Presidência da República. É fazer marketing e é um excelente elemento de marketing”, caracterizou.

Para António Costa Pinto este convite a Mario Draghi antecipa que “Marcelo Rebelo de Sousa vai utilizar de vez em quando o Conselho de Estado como plataforma de debate e discussão de alguns temas nacionais e internacionais”.

“Tanto pode ser o caso de Draghi, como por exemplo uma personalidade da vida internacional, por hipótese, a propósito de segurança e terrorismo”, antecipou.

Segundo o politólogo do Instituto de Ciências Sociais, “politicamente o significado deste convite é o de dar uma centralidade no debate político português à Presidência da República”.

Já José Adelino Maltez realçou que Portugal está num “novo ciclo institucional”, sendo o Conselho de Estado agora um “órgão mais inclusivo”.

A mensagem, na opinião de Costa Pinto “é claramente europeísta” e Marcelo Rebelo de Sousa ao “convidar o principal responsável pela política monetária europeia numa conjuntura em que o Conselho de Estado é composto pelos partidos políticos de todas as bancadas parlamentares e um conjunto de notáveis, dá uma maior centralidade em temas importantes para Portugal para o Presidente da República.

A dúvida que só poderá ser esclarecida na quinta-feira é a forma de comunicação do Conselho de Estado.

“Pode haver um estilo de calar de Conselho de Estado e pode haver um estilo de o utilizar como tempo de antena. Não sei o que será decidido”, disse José Adelino Maltez, que antecipou que o compromisso não vá ser o do silêncio.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Eleições na Madeira

Na Madeira /premium

Maria João Avillez

Que dizer do receio semi-escondido do PS de não ter maioria absoluta versus o sonoro alívio manifestado ontem pelo mesmo PS por a Madeira se ter livrado dessa praga horrível?

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)