A Polícia Judiciária fez, esta terça-feira, várias buscas no Porto e em Braga e deteve sete suspeitos envolvidos no rapto do empresário João Paulo Fernandes – desaparecido desde o dia 11 de março e que terá sido, depois, assassinado. Entre os detidos estão, pelo menos, dois advogados.

Ao Observador, fonte da PJ confirmou, pelas 12h00, que a operação estava “ainda em curso”. A mesma fonte disse haver fortes indícios de que o empresário tenha sido assassinado depois de ter sido raptado. O cadáver, no entanto, não foi ainda encontrado pelas autoridades.

Em comunicado enviado a meio da tarde, a PJ refere que a “Operação Fireball” passou por vários escritórios de advogados e estabelecimentos nas zonas centro e norte do País. E que culminou na “detenção de sete homens pela presumível autoria, entre outros, de crimes de sequestro qualificado e homicídio.”

“Das buscas efetuadas resultou a apreensão de várias armas de fogo, gorros, algemas, elevadas quantias de dinheiro, viaturas, entre outros objetos e documentos com relevância probatória”, lê-se no comunicado.

Entre os detidos, entre os 27 e os 41 anos, há advogados e empresários de profissão. Um dos suspeitos detidos tem já antecedentes criminais por por homicídio na forma tentada e tráfico de droga. Segundo o Jornal de Notícias, os advogados detidos são Pedro Grancho Bourbon e o irmão Manuel Grancho Bourbon, que já representaram o empresário de 42 anos desaparecido.

Foram aliás estes os advogados a quem o pai do empresário apontou o dedo logo após o seu desaparecimento. Segundo as suas declarações à comunicação social, tinha sido Pedro Grancho Bourbon a apoderar-se de imóveis seus, avaliados em cerca de dois milhões de euros. Como? O advogado terá aconselhado a criação de uma empresa para onde fosse passada a propriedade de 19 casas e terrenos, para que estas não fossem perdidas na sequência de dívidas. O pai do empresário diz que os bens seriam vendidos ficticiamente ao advogado, mas acabou sem os bens e sem as propriedades. Ainda se queixou ao Ministério Público, mas o caso acabou arquivado.

Pedro Grancho Bourbon afirmou, por seu turno, ao Correio da Manhã ter sido ele a afastar-se dos processos que tinha do empresário por “falta de pagamentos de honorários”. E recusou ter-se apoderado de qualquer imóvel, tendo pago um milhão de euros ao pai do empresário.

Raptado à frente da filha de oito anos

O empresário João Paulo Fernandes estava há cerca de dois anos a viver na zona de Bordéus, em França, para onde emigrou depois de a empresa de climatização que possuía ter falido. Segundo o Correio da Manhã, o empresário deixou em Portugal uma dívida de cerca de 3,6 milhões de euros. Mas não foi só ele. O pai, um empresário do ramo da construção civil também falido, chegou a viver na Madeira depois de ele e a família terem sido alvo de ameaças por causa das dívidas.

João Paulo Fernandes foi raptado a 11 de março, quando regressava a casa, na Avenida Dr. António Palha, em Braga à frente da filha de oito anos – que correu para uma farmácia em busca de auxílio. Segundo o seu testemunho, o homem foi agredido com a coronha de uma arma e os dois raptores, encapuzados, obrigaram-no a entrar numa viatura, onde seguia um terceiro suspeito. Foi a última vez que o viram.

A PJ acredita que depois disto o empresário tenha sido vítima de homicídio, apesar de ainda não ter localizado o corpo. Na investigação, os inspetores tiveram em conta todos os negócios do empresário e da sua família, que tem contribuído para tentar apurar o que se passou.

(Atualizado às 16h30)