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Obras de Vhils destruídas para dar lugar ao novo terminal de cruzeiros de Lisboa

Construção do novo terminal de cruzeiros de Lisboa levou à destruição de vários edifícios junto ao rio. Um deles tinha três peças consideradas um expoente de arte urbana na capital.

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Um edifício que tinha três murais concebidos pelos artistas urbanos Vhils e PixelPancho foi demolido recentemente na zona de Santa Apolónia, em Lisboa. É para este local que está previsto o novo terminal de cruzeiros da capital, cujo projeto já previa a demolição de uma série de edificações à beira rio.

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Era aqui que estava a pequena casa onde Vhils e PixelPancho trabalharam (Fotografia: FÁBIO PINTO/OBSERVADOR)

As três obras foram realizadas por Vhils, artista português, e PixelPancho, italiano, em novembro de 2013, num edifício existente no Jardim do Tabaco, em frente à Alfândega de Lisboa. Nessa altura já era conhecido o projeto do novo terminal de cruzeiros, da autoria de Carrilho da Graça, para aquele sítio. Aliás, o início dos trabalhos chegou a estar previsto para 2014, mas a obra foi-se atrasando e só arrancou no fim de 2015.

O Observador questionou o Porto de Lisboa sobre este tema, mas não obteve respostas até ao momento.

Os três murais foram feitos com recurso a uma técnica mista de escultura e pintura. Vhils foi responsável por esculpir as paredes, dando-lhes a configuração humana que replicou em várias outras paredes de Lisboa e de todo o mundo. Já PixelPancho fez a pintura. Os murais mostravam homens com características robóticas em diferentes situações: a segurar um barco destroçado, a fazer a tradicional saudação dos capitães de mar e a abraçar uma mulher que parece uma boneca.

A colaboração entre Vhils e o artista italiano foi proporcionada pela plataforma de arte urbana Underdogs, que há vários anos dinamiza este tipo de expressões artísticas em Lisboa. A capital portuguesa é, aliás, considerada uma referência mundial de arte urbana. Recentemente houve mesmo um festival dedicado a intervenções deste género no Bairro Padre Cruz, em Carnide.

Em resposta ao Observador, a responsável de comunicação da plataforma Underdogs explica que “a intervenção foi realizada com a consciência de que seria temporária” e que isso não preocupa os artistas. “Cada peça tem o seu tempo de vida. Consideramos que esta dimensão de efemeridade acaba mesmo por enaltecer a arte que produzimos, na medida em que lhe dá um caráter mais orgânico e a aproxima do nosso próprio tempo de vida.”

A plataforma enaltece ainda o trabalho da Câmara Municipal de Lisboa na promoção da arte urbana. Foi, aliás, com a concordância da autarquia que estes murais de Vhils e Pixel Pancho foram feitos naquele local. Esta obra conjunta “acaba por antecipar metaforicamente essa mesma temática da destruição. Achamos que foi um final justo e poético”, disse a responsável pela comunicação da Underdogs.

Na segunda-feira, depois da demolição do edifício, Vhils publicou uma fotografia no Facebook com a legenda “Nothing Lasts Forever” — “nada dura para sempre”. Muitos seguidores do artista naquela rede social lamentaram a destruição dos murais, considerando-os como dos melhores exemplos de arte urbana em Lisboa. Outros frisaram que esta é uma arte efémera, sujeita às mudanças naturais de uma cidade.

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