O Rubber Chicken deslocou-se a Madrid a convite da Electronic Arts (EA) e foi num ambiente de quase-capa-e-espada que foi revelada uma pontinha do que aí vem com este FIFA 17. Muito secretismo. E qual o melhor local para fazer uma apresentação secreta? Na BatCave? No meio de um deserto a fazer lembrar a RV em Breaking Bad? Na Lua? Não, em pleno Santiago Bernabéu! Foi, portanto, na casa de um dos maiores clubes do mundo do desporto-rei que se levantou a cortina para mostrar este FIFA 17, com a bênção de Morientes que, dos relvados, saltou para os comandos de uma consola onde foi dos primeiros a por as mãos no jogo.

Sendo um produto que deixa os seus criadores visivelmente orgulhosos, este FIFA 17 traz algumas novidades que prometem agitar as águas. Já anunciada e uma das principais mudanças, é a migração para o motor de jogo Frostbite, substituindo o mais limitado IGNITE em que vinha assentando a arquitetura de FIFA nos últimos anos.

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“A mudança para o Frostbite engine é uma das maiores diferenças a nível tecnológico e dá-nos a oportunidade de colaborar com alguns dos melhores jogos do mercado, como Battlefield e Dragon Age, e aprender com eles. Falámos bastante com eles e permitiu-nos mudar um pouco a forma como fazemos as coisas.” Nick Channon – Produtor de FIFA 17.

O Frostbite serviu de motor para vários jogos das séries Battlefield, Medal of Honor, Need for Speed ou Mass Effect, sendo também o motor de jogo usado no novo Mirror’s Edge e Star Wars: Battlefront e tem outras capacidades que este FIFA 17 promete aproveitar. Desde os óbvios melhoramentos a nível gráfico, onde o destaque vai para animações faciais e do ambiente do jogo, bem como pormenores relacionados com a iluminação, à vertente orientada para uma campanha story-driven, a EA pretende explorar ao máximo as potencialidades de Frostbite e fazer com que o FIFA deixe de ser “apenas” mais um jogo de futebol. Como? Lembrem-se destas palavras: The Journey.

FIFA 17 – The Journey coloca-nos na pele de Alex Hunter, um jovem inglês a dar os primeiros passos pelo futebol profissional. E é aqui que o jogo sai para fora do retângulo relvado e assume um conjunto de novas dimensões, que vão desde a emocional à vertente RPG, passando por decisões a fazer lembrar um The Walking Dead ou Game of Thrones e por uma imersividade e complexidade com laivos de Mass Effect.

Nick Channon, EA

Nick Channon, EA

“É uma enorme adição ao FIFA. Um modo de história narrativa em que seguimos a vida de um jovem jogador a tentar fazer carreira na Premier League.” Nick Channon – Produtor FIFA 17.

Alex Hunter começa num clube da Liga Inglesa, verde, verdinho, nervoso. A assinatura do contrato, os primeiros passos no balneário por onde passam estrelas da nossa equipa, o emaranhado de corredores dentro do estádio, tudo nos é dado a experimentar. O jogo é isso. Encarnar Alex Hunter e sentir “na pele” tudo aquilo por que ele passa. Como não poderia deixar de ser, pisamos o relvado também. Na versão que experimenta-mos, começamos o jogo no banco, enquanto o nosso Manchester United defronta um adversário.

Em desvantagem no marcador, o treinador José Mourinho (que apesar de esta ser apenas uma versão de demonstração já continha uma base de dados atualizada) não se limita a lançar-nos no jogo. Há que cumprir determinados objetivos para o deixar satisfeito, quer se trate de um conjunto de centros ou passes que criem uma ocasião de golo, ou mesmo a marcação do golo que desfaça a igualdade ou desvantagem no marcador. Depois, pergunta-nos se estamos prontos para entrar e a nossa resposta, à escolha entre várias opções, terá então impacto face ao que se espera de nós e à forma como nos relacionamos com colegas, treinador e adeptos.

Boas exibições deixam todos satisfeitos e abrem-nos portas à primeira equipa ou a transferências, dinheiro e, claro, uma vida melhor. Más exibições podem levar-nos numa espiral descendente de autoconfiança que tem impacto na nossa vida pessoal e profissional, com um empréstimo a um clube de menor dimensão a ser colocado em cima da mesa.

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Pelo meio, há treinos, desafios, alocação de skill points que nos reforcem atributos ou atribuam novas capacidades para explorar no terreno de jogo. Mais pontos na capacidade de passe têm um efeito real no campo, na maneira como controlamos o nosso jogador, e é possível jogar este modo controlando-o apenas a ele, para uma experiência incomparavelmente mais imersiva. E perceber as limitações do nosso jogador é um importante incentivo para treinar e alocar pontos por forma a adequá-lo ao nosso estilo de jogo ou às exigências da posição em que formos colocados a jogar.

Jogar.

É a palavra-chave. Jogar futebol. O jogo em si continua a ser a estrela deste FIFA 17. O Gameplay. Os controlos, as interações com bola, companheiros, adversários, o futebol propriamente dito é a estrela maior do jogo. E aqui FIFA 17 traz-nos também novidades, com o triplo das animações da versão anterior a prometerem movimentos mais fluidos e diversificados. Novas técnicas de ataque e defesa, potentes remates rente ao chão, fintas, simulações de passe e remate, melhorias na Inteligência Artificial e um ponto que foi extensivamente demonstrado na apresentação que nos foi feita: a utilização do corpo para proteger a bola.

Com melhorias no motor de física do jogo, as pressões, torções e empurrões adquirem uma dimensão e importância consideráveis, passando a ser mais um fator diferenciador entre os jogadores. A forma como se recebe, trabalha, passa, centra, remata ou protege a bola foi dos aspetos mais focados por Aaron McHardy, Produtor de Gameplay do jogo, durante a sua apresentação.

Em suma, FIFA 17 promete ser muito mais do que apenas uma nova edição de um jogo de futebol. O modo de jogo The Journey promete atrair para o jogo muitos daqueles que, ao longo dos anos, foram encostando as sucessivas edições de jogos de futebol por serem apenas isso: jogos de futebol. E este FIFA 17 parece ser bem mais do que isso.

FIFA 17 estará disponível a 30 de Setembro.

Ricardo Mota, Rubber Chicken