O antigo primeiro-ministro francês e histórico líder socialista, Michel Rocard, morreu este sábado, aos 85 anos.

A notícia da morte de Rocard já foi confirmada pelo gabinete de François Hollande. De acordo com informações avançadas pelo filho à Agence France-Presse (AFP), o antigo governante morreu num hospital de Paris.

Michel Rocard nasceu em 1930 em Courbevoie (subúrbio a oeste de Paris) e tornou-se militante socialista aos 19 anos, primeiro no Partido Socialista Unificado (PSU) e depois, a partir de 1974, no Partido Socialista.

Em maio de 1988 tornou-se no primeiro-ministro de Miterrand, com quem manteve grandes divergências pela sua visão mais de esquerda.

Rocard chefiou o partido durante uns meses, entre 1993 e 1994, ano em que rumou a Bruxelas como eurodeputado no Parlamento Europeu, uma função que exerceu até 2009.

Europeísta ferrenho, na sua última entrevista, há apenas duas semanas, defendia no semanário Le Point o ‘Brexit’, já que entendia que assim a União Europeia se livrava do entrave para a sua integração, protagonizado pelo Reino Unido.

O Presidente francês já lamentou a morte do histórico líder socialista. Para François Hollande, “desapareceu uma grande figura da República e da esquerda” que encarnava “a utopia conciliatória do socialismo moderno”, sublinhou Hollande, citado pela AFP.

Manuel Valls, o primeiro-ministro francês, também elogiou a figura do histórico dirigente socialista, afirmando que lhe deve o seu envolvimento na política.

“Entrei para a política por e para Michel Rocard. Porque ele disse em 1978 que o fracasso da esquerda não era o destino. Porque disse antes de outros que a mudança passa pela reforma e não pela rotura”, disse o primeiro-ministro em comunicado.

Rocard liderou durante décadas o ala moderada do Partido Socialista e é considerado o pai do Rendimento Social de Inserção em França. A par de Churchill e Gorbatchov, Michel Rocard é uma das maiores inspirações políticas de António Costa. Foi isso mesmo que revelou à agência Lusa, em novembro de 2015, quando elogiou Rocard “pela capacidade de renovação das ideias socialistas”.

O estado de saúde do histórico socialista vinha-se deteriorando nos últimos anos. Em 2007, Rocard sofreu uma grave hemorragia cerebral durante uma viagem à Índia, como lembra a AFP. Mais tarde, em 2012, durante uma viagem a Estocolmo, o ex-primeiro-ministro francês teve de ser hospitalizado e submetido a uma cirurgia, mais uma vez por causa de um coágulo que se formara no lado direito do cérebro. Ainda assim, segundo a imprensa francesa, Rocard morreu de forma repentina no hospital parisiense de Pitié-Salpétrière