Pokémon GO

Pokémon GO. É este o culpado pelo sucesso do jogo do momento

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John Hanke é o responsável pelo Pokémon GO, o jogo que pôs milhões nas ruas à procura de criaturas virtuais. Antes, foram 20 anos de experiência, muitos deles passados na Google.

John Hanke, num vídeo da Berkeley-Haas no YouTube. www.youtube.com

Berkeley-Haas/YouTube

O nome de John Hanke pode até ser desconhecido de muita gente. Mas este empreendedor norte-americano, quiçá um visionário, é o homem por detrás da nova febre do Pokémon GO, o videojogo que conquistou muitos milhões de jogadores em apenas duas semanas. Foi ele quem fundou a Niantic Inc., a startup que desenvolveu a aplicação e que, sob o nome Niantic Labs, chegou a fazer parte da gigante Google. Separaram-se em agosto de 2015. Desde então, a Niantic tem seguido um caminho diferente, com John Hanke ao leme, pois claro.

Para perceber o caminho até ao Pokémon GO é preciso recuar cerca de duas décadas. É que Hanke era um dos responsáveis pelo videojogo Meridian 59, lançado para computadores Windows em dezembro de 1995 e considerado o primeiro MMORPG (Massively Multi-Player Role-Playing Game) comercial com gráficos em três dimensões. Por outras palavras, foi o primeiro jogo do mundo a permitir que pessoas de todo o planeta se reunissem em torno de uma história comum através da internet, resumiu a revista The New Yorker.

Foi assim a vida de John Hanke até 2000, altura em que começou a ter outras ideias. A história foi contada numa reportagem publicada no site Inc.: em 2000, Hanke reparou em três coisas. Primeiro, o grafismo a três dimensões estava cada vez mais acessível. Depois, as ligações à internet eram cada vez mais rápidas. Por fim, a fotografia aérea estava a ganhar relevância. Tudo junto, para Hanke, isso só podia significar uma coisa: havia espaço para criar algo novo, que revolucionasse a forma como as pessoas se relacionavam globalmente.

Estavam lançadas as bases para aquilo que viria a ser o Google Earth, um dos produtos mais icónicos da Google que permite, entre outras coisas, ver imagens tiradas por satélite de qualquer parte do mundo. Segundo o Inc., isso aconteceu da seguinte forma: nesse ano, Hanke fundou uma empresa chamada Keyhole e começou a desenvolver uma tecnologia chamada “visualização espacial”; em 2004, a Google reparou no trabalho da Keyhole e não só comprou a empresa como contratou toda a equipa que a constituía. Eram os primeiros passos do norte-americano na multinacional, onde encabeçou, até 2010, a equipa responsável pelas ferramentas Google Maps e Google Street View.

Neste ponto é já possível ter uma ideia de como se chegou ao Pokémon GO. Mas há muita mais história por contar: como qualquer bom empreendedor, John Hanke começou a querer fazer coisas que ainda não existiam. “Haviam certas coisas relacionadas com mapas que eu queria fazer, mas que não se encaixavam no foco geral da empresa”, disse Hanke em 2012, entrevistado por Eric Markowitz para o site Inc. Pensou em sair, mas ainda não tinha chegado esse momento. Continuou na Google, mas encontrou uma forma de “criar um ambiente dentro da empresa” que, de facto, se assemelhava a uma startup. Nascia a Niantic Labs.

Continuar na Google estava a ser importante, confessou John Hanke nessa mesma entrevista. Permitia-lhe tirar vantagem da infraestrutura e da informação geográfica existente nas bases de dados da gigante tecnológica. E isso terá sido crucial no desenvolvimento do primeiro jogo de realidade aumentada da recém-nascida Niantic: o Ingress, uma pequena febre que também chegou a Portugal, mas que não atingiu nem de perto as proporções do Pokémon GO.

A separação, por assim dizer, chegou quando a Google mudou de nome para Alphabet, a sua empresa-mãe — lembra-se? Num comunicado publicado em agosto de 2015 na conta do Ingress no Google+, a Niantic Labs assumia-se como uma “empresa independente” e reclamava mais de 12 milhões de downloads, assim como “mais de 250 mil pessoas” em eventos relacionados com o videojogo.

De facto, o Ingress é bem mais relevante para a história do Pokémon GO do que aparenta à primeira vista. Temos um empreendedor, John Hanke, com experiência no desenvolvimento de jogos MMORPG, especialista em Google Maps (afinal, foi ele quem criou o aplicativo), diretor de uma startup em Silicon Valley e responsável por um jogo de realidade aumentada, o Ingress. Daqui, como chegou à febre Pokémon? Curiosamente, a ideia tinha nascido na própria Google um ano antes, em 2014, quando Hanke ainda lá estava.

Talvez já não se recorde. Mas, nesse ano, a Google fez uma brincadeira por ocasião do dia das mentiras: durante o dia 1 de abril de 2014 tornou possível apanhar pokémons usando a aplicação Google Maps. O mini-jogo, a que a empresa chamou de “Google Maps: Pokémon Challenge”, teve até direito a um trailer oficial e era muito semelhante ao Pokémon GO, o jogo agora lançado pela Niantic. Ora veja:

Finalmente, há pouco mais de duas semanas, a Niantic Inc. lançou o Pokémon GO. Para o jogo terão sido aproveitadas informações recolhidas com o Ingress. Explicou Hanke ao site Mashable que a equipa chegou mesmo a pedir aos jogadores que sugerissem locais de interesse a serem adicionados ao mapa. De um total de 15 milhões de sugestões, a equipa aproveitou 5 milhões, avançou o norte-americano. E essas informações transitaram diretamente para o Pokémon GO — de resto, se quer entender melhor como é que o jogo decide a localização das criaturas, leia este artigo que publicámos no Observador.

Em suma, o Pokémon GO é, acima de tudo, fruto da experiência e dos conhecimentos adquiridos por John Hanke ao longo dos últimos 20 anos. Estaria ele à espera do sucesso do mais recente videojogo da Niantic? Em parte, sim. À revista Time, o empreendedor confessou que o objetivo era esse, mas que não esperava tanto: “Pensámos que ia ser popular. Quero dizer, nunca pensámos que as pessoas não iam ficar entusiasmadas com ele, mas estamos surpreendidos pelo nível de interesse”.

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