Um grupo de 35 jovens, entre os 14 e 23 anos, estão há nove dias a viajar a bordo da caravela portuguesa Creoula, na regata dos maiores veleiros do mundo, numa experiência inédita como verdadeiros marinheiros.

Alinham-se à ordem do comandante, fazem descer a vela com a coordenação que lhes é imposta e puxam os cabos em sintonia, com a força que lhes é permitida.

Rapazes e raparigas, uns mais novos e estreantes, outros mais velhos e repetentes, todos se conheceram a bordo do Creoula, um dos navios que está a participar na regata dos maiores veleiros do mundo, The Tall Ships Races, que está de visita a Lisboa até segunda-feira.

Joana Ribeiro tem 23 anos, é estudante de medicina e desde que se estreou a bordo de um grande veleiro, em 2012, quis sempre repetir a experiência.

“Gosto muito do mar e o ambiente a bordo ajuda a criar um ‘bichinho’ e já não queremos sair daqui”, contou à agência Lusa.

Prestes a entrar para o sexto ano de medicina, Joana vê que a experiência a bordo pode ser também uma mais-valia curricular, através do contacto com o médico e enfermeiro sobre medicina naval.

Sem distinções de idade, Joana não se preocupa por ser a mais velha e ter no seu grupo jovens de 14 anos.

“A parte gira destas navegações é que apesar das diferentes faixas etárias, há um ambiente de amizade e entreajuda que talvez não se verificam em atividades em terra. Queremos pôr o navio a navegar quer se tenha 15 anos ou 50”, sublinhou.

Já Rodrigo Soares, de 16 anos, é a primeira vez que está em alto mar e apesar de estar encantado com as tarefas marinhas, o melhor de tudo está a ser o convívio.

“Vão ser amigos para a vida. Não os conhecia de lado nenhum, mas começámos a juntar-nos e a saber uns dos outros e a formar grandes amizades”, disse.

Naquela que está a ser uma “experiência única”, Rodrigo revelou estar a pensar que a Marinha poderá ser uma possibilidade profissional para o futuro.

Sem telemóveis, nem contactos com as redes sociais, é cara a cara que o grupo se vai conhecendo e comunicando.

“Já não sabia o que era conhecer alguém sem ser através da internet, nem estar uma semana sem ir ao Facebook. É bom estarmos aqui só uns com os outros a conversar”, disse Biatriz.

O convívio é importante, mas o grupo tem também de cumprir as suas tarefas, como ir ao leme, estar de vigia, fazer as limpezas e preparar as refeições.

A pele dourada do sol e o cabelo seco do sal dão conta de que já estão em alto mar há alguns dias e o conhecimento dos termos técnicos mostram também que já não são mais inexperientes.

“Quando eles chegam, das primeiras coisas que eu digo é para chatearam bastante os oficiais, perguntarem tudo o que quiserem que estamos abertos a qualquer pergunta. Eles embarcam numa realidade diferente, num mundo novo e é normal haver dúvidas. Eles quando cá chegam inserem-se nas rotinas e ao fim de algum tempo já são verdadeiros marinheiros”, contou o comandante do Creoula, Carvalho de Oliveira.

O Creoula é um dos navios portugueses que está a participar na The Tall Ships Races, uma regata que junta os 50 maiores veleiros do mundo, nove dos quais são portugueses, e 500 tripulantes, jovens distribuídos por diversas embarcações.

The Tall Ships Races é uma competição de vela que se realiza anualmente para dar oportunidades de formação a jovens de todo o mundo. A primeira regata foi realizada entre Torbay (Reino Unido) e Lisboa em 1956.

A competição, que passa por quatro portos (1.955 milhas náuticas), começou em Antuérpia (Bélgica), de 07 a 10 de julho. Segue-se agora Lisboa, depois Cadiz (Espanha), de 28 a 31 de julho, e Corunha (Espanha), de 11 a 14 de agosto.

Até segunda-feira, em Lisboa, são esperados mais de um milhão de visitantes a bordo para conhecer os navios por dentro.