A Comissão Europeia instou esta quarta-feira o Governo grego a garantir publicamente a fiabilidade das estatísticas gregas e do seu instituto nacional responsável pela sua compilação, o ELSTAT, durante o período do resgate, em mais um episódio da novela que levou ao julgamento do seu antigo presidente, Andreas Georgiou.

É uma novela antiga, mas com um twist. Em 2009 e 2010, os números do défice e da dívida pública grega foram revistos para números muito superiores aos oficiais que eram conhecidos até então.

O Governo grego tinha recorrido a vários expedientes durante anos para mascarar as contas do défice e da dívida, incluindo swaps comprados ao banco norte-americano Goldman Sachs. O escândalo levou não só à perda de confiança na Grécia da parte dos investidores privados, mas também da Comissão Europeia que impôs uma reformulação do Instituto de Estatísticas grego, com supervisão do Eurostat, responsáveis por verificar as contas a nível europeu.

Saltando uns anos para a frente e chegando a 2016. Depois de anos a reconstruir a confiança no sistema estatístico, surge novo abalo, com acusações em sentido contrário, de que o ELSTAT teria inflacionado o défice para tornar mais onerosas as condições do resgate de 2010.

O caso tomou dimensão tal que Andreas Georgiou, o chefe das estatísticas gregas entre 2010 e 2015, foi levado a tribunal acusado, em 2013, de manipular estatísticas do défice de 2009 e a indignação quanto a esta ação da justiça grega levou a uma onda de apoio ao ex-responsável, com colegas de profissão a juntarem-se para lhe pagaram as custas judiciais e outras despesas com o processo.

Hoje, a Comissão decidiu intervir no caso. Bruxelas, que não pode comentar disputas legais nacionais, mostrou de que lado está e instou o Governo grego a defender os seus números, e assim o antigo chefe das estatísticas gregas.

“A Comissão insta agora as autoridades gregas para desafiar pública e ativamente a falsa impressão que os dados foram manipulados no período entre 2010 e 2015 e a proteger o ELSAT e os seus trabalhadores destas acusações infundadas”, afirma a Comissão Europeia num comunicado enviado esta quarta-feira.

Bruxelas vai mais longe e, com uma declaração imputada à comissária responsável pelas estatísticas europeias, Marianne Thyssen, garante a qualidade das estatísticas neste período: “Para a Comissão e para o Eurostat é absolutamente claro que os dados da dívida pública grega entre 2010 e 2015 foram completamente fiáveis e reportados de forma precisa ao Eurostat”.

Para oficializar a sua posição, a Comissão enviou ao governo grego uma carta enviada pelos três comissários com responsabilidades nesta área que inclui, para além de Marianne Thyssen, o vice-presidente da Comissão para o Euro Valdis Dombrovskis e o comissário para os Assuntos Económicos Pierre Moscovici.