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Banhistas encontram na margem sul do Tejo o seu Algarve

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"Nós aqui consideramos mesmo o nosso Algarve. Isto é lindo, lindo de verão", diz uma moradora no Seixal. Quem não pode ir mais para sul, fica na margem.

Tiago Petinga/LUSA

Autor
  • Agência Lusa
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Ana Matos Neves (texto), Tiago Petinga (fotos)

Os acessos, a tranquilidade e a paisagem das praias do estuário do Tejo na margem sul atraem cada vez mais banhistas que, em vez de rumarem ao sul do país, aqui se fixam, considerando este o seu Algarve.

“Nós aqui consideramos mesmo o nosso Algarve. Isto é lindo, lindo de verão”, comenta Susete Ribeiro, que há 28 anos gere um bar na praia da Ponta dos Corvos, no concelho do Seixal, distrito de Setúbal.

Além de concessionária, Susete frequenta a praia desde que nasceu, há 62 anos, tendo assistido ao acréscimo da procura: “Neste verão então, muitos estrangeiros têm vindo aqui. As pessoas adoram”.

Mesmo que estas praias estuarinas ainda não estejam classificadas como aptas para banhos, isso não impede os veraneantes de as frequentarem.

Natural do Feijó (Almada), Maria dos Anjos, de 70 anos, vai à praia da Ponta dos Corvos há mais de 20 anos e já passou a tradição aos filhos e netos.

“Gosto desta praia porque esta é uma praia lindíssima. É melhor que a Costa da Caparica. A gente gosta muito de vir para aqui porque é muito sossegadinha, é uma família. Sinto-me muito bem”, conta à agência Lusa.

Amiga de Susete há anos, Maria dos Anjos partilha da ideia de que este é o seu Algarve: “Ao sábado e ao domingo, isto parece Vilamoura, porque é tanto barco bonito aqui a passar”.

Apesar de viver perto, recusa que aqui se desloquem apenas pessoas da zona com fracos recursos económicos: “Nota-se que vem mais gente sem ser aqui de perto, vem gente de mais longe. Se você vier aqui ao sábado e ao domingo, vê aqui nesta estrada brutas bombas, de gente que vem para aqui que é gente que não é assim pé rapado”.

Localizada no concelho da Moita, a praia do Rosário é outra das eleitas pelos banhistas.

É o caso de Filomena Sá, residente no Barreiro, que diz à Lusa gostar “de tudo” nesta praia.

“Gosto da comodidade de ter o carro perto, da relva – que não sou muito amiga de pisar a areia -, é calmo, tenho pronto-socorro, tenha a biblioteca se quiser ler, tenho o café se quiser tomar alguma coisa e tenho o restaurante se quiser comer”, enumera.

A banhista, que complementa sempre as férias no Algarve com idas à praia do Rosário, vê esta como uma alternativa às outras praias em agosto, que ficam mais cheias: “Não tenho de sair cedo de casa nem vir a correr”.

Numa praia mais lado, Maria de Fátima Neves está a aproveitar o sol, acompanhada pelo marido.

O casal, emigrado na Alemanha há 45 anos, volta sempre à praia dos Moinhos, em Alcochete, quando vem passar férias a Portugal.

“É muito sossegada, acho isto bom. Muito sossegadinho aqui. É melhor do que estar no mar e levar com bolas aqui e com bolas ali. E é limpinha também”, destaca.

Segundo Maria de Fátima Neves, agora “vem muita gente” para esta praia, enquanto “antigamente era só meia dúzia”.

Para a melhoria das condições, contribuiu o esforço dos municípios do Seixal, Moita e Alcochete no tratamento das águas e na melhoria das infraestruturas de apoio às praias.

O objetivo é que estas venham a ser consideradas zonas balneares, aptas para banhos.

A praia da Ponta dos Corvos chegou a ser classificada, em 2013, boa para a prática balnear, mas perdeu a atribuição no início deste ano porque “ainda [se encontram] em fase de resolução alguns focos pontuais de poluição que induzem variações na qualidade microbiológica da água”, explicou a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em resposta escrita enviada à Lusa.

“No que respeita a outros locais do estuário do Tejo – como sejam praia do Rosário ou Samouco [Alcochete] -, onde se pratica a prática de banhos mas que não estão identificados como águas balneares, tem sido efetuada monitorização da qualidade da água por parte de outras entidades, nomeadamente serviços de Saúde Regional e autarquias”, adianta a APA, referindo que cabe aos municípios “propor a identificação de uma água balnear, sempre que exista apetência para o banho”.

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