Uma equipa de cientistas australianos descobriu aqueles que podem ser os fósseis mais antigos do planeta Terra nas rochas da Gronelândia. Estes novos fósseis, com 3,7 mil milhões de anos, são 220 milhões de anos mais antigos do que qualquer outro registado anteriormente, noticia o jornal britânico The Guardian. Trata-se de estromatólitos, micro-organismos que ficaram fossilizados no interior da rocha.

Num artigo da revista científica Nature, Clark Friend, um investigador independente, juntamente com uma equipa de cientistas australianos e do colaborador Allen Nutman, da Universidade de Wollongong, revelou como descobriram estes fósseis. Os micro-organismos estavam alojados em rochas metamórficas, isto é, rochas que se formaram a partir de outras rochas sujeitas a elevadas condições de pressão e temperatura.

O facto de se tratar de uma rocha metamórfica poderia dificultar a investigação, uma vez que este processo pode deformar as rochas. Mas a garantia dos investigadores chegou quando encontraram uma rocha com as características originais por baixo da neve derretida. Os estromatólitos descobertos, com uma forma semelhante a um dente de tubarão, têm aproximadamente um a quatro centímetros de largura.

No entanto, nem todos os cientistas estão convencidos. A evidência que se trata de estromatólitos é a marca química que deixam. Mas Robert Riding, da Universidade do Texas, acredita que há a possibilidade desta marca resultar de um processo físico em vez de um processo biológico.

Esta descoberta levanta ainda outra questão: a possibilidade de ter existido vida em Marte há 3,7 mil milhões de anos. Clark Friend acredita que, se existia vida na Terra há 3,7 mil milhões de anos, também poderia existir em Marte, visto nessa altura o planeta vermelho ainda ter água no estado líquido.

Texto editado por Vera Novais