Isabelle Dinoire, que entrou para a história da medicina em 2005 ao tornar-se a primeira pessoa a receber um transplante de cara, morreu de cancro, aos 49 anos de idade. De acordo com o hospital de Amiens, no norte de França, a morte de Dinoire aconteceu a 22 de abril, mas foi mantida em segredo até agora para respeitar a privacidade da família. O hospital revelou ainda que o corpo de Isabelle começou a rejeitar o transplante no último ano.

De acordo com o jornal francês Le Figaro, durante o último inverno, Isabelle perdeu parte da capacidade de usar os lábios, na sequência da rejeição do transplante. Por outro lado, os fortes medicamentos utilizados para combater a rejeição potenciaram o aparecimento de dois cancros.

A mulher foi sujeita à operação de transplante da face em 2005, após ter sido atacada pelo seu cão e ter ficado com a parte inferior do rosto totalmente destruída. Encontrava-se desmaiada, depois de se ter tentado suicidar com medicamentos. Isabelle recebeu, de um dador em morte cerebral, um pedaço da cara que incluiu o nariz, os lábios e o queixo.

Três meses depois da operação, Isabelle participou numa conferência de imprensa em que contou como voltou a ter “uma vida normal”. “Desde a operação, eu tenho uma cara, como toda a gente. Vou poder retomar uma vida normal”, disse a mulher, na altura com 38 anos. A evolução desde o transplante foi rápida. Uma semana depois, Isabelle já conseguia comer e mastigar, e em quatro meses já tinha sensibilidade em toda a cara.

Desde a operação de Isabelle, já foram feitos cerca de 30 transplantes de face em todo o mundo.

A equipa que fez a operação, liderada pelos cirurgiões Jean-Michel Dubernard — que tinha feito a primeira operação de transplante de uma mão, em 1998 — e Bernard Devauchelle, professor de cirurgia facial. A equipa esteve envolvida em polémica devido a questões éticas levantadas na altura da operação. “Antes, ela não conseguia viver, não se reconhecia, assustava-se a si própria. Ninguém consegue viver assim. Mas a vida dela mudou, vai às compras, vai de férias”, explicou na altura Sylvie Testelin, uma das cirurgiãs que participaram na operação.