O Presidente venezuelano, Nicolas Maduro, advertiu os líderes mundiais na cimeira do Movimento dos Não Alinhados (MNA) na Venezuela que o seu país está a ser alvo de uma guerra económica dos Estados Unidos destinada a derrubá-lo. Falando na mesma cimeira, que começou no sábado, o maior aliado regional de Maduro, o Presidente cubano, Raul castro, repetiu a acusação, apesar do reatar das relações entre Cuba e os Estados Unidos.

“A Venezuela está a ser alvo de um ataque (…) que é contra toda a América Latina e Caraíbas, que está a tentar voltar a impor e recolonizar a política, a economia, a cultura e vida dos nossos países”, afirmou Maduro, depois de assumir por três anos a presidência rotativa do MNA, até agora do Irão.

O chefe de Estado venezuelano espera “aproveitar esta cimeira histórica e a presidência do MNA para continuar a denunciar esta direita pró-imperialista, ajoelhada perante os interesses do império (Estados Unidos)”, tinha afirmado Maduro antes do início da cimeira, acusando a oposição venezuelana de fomentar um golpe de Estado no país apoiado por Washington.

Sendo a desconfiança dos Estados Unidos um elemento agregador do MNA, o presidente venezuelano aproveitou para recolher apoios, nomeadamente em discursos hostis à Casa Branca, de Cuba, Bolívia, Equador e Coreia do Norte.

Contudo, estes apoios não escondem o facto de que a Venezuela está cada vez mais isolada na cena internacional, incluindo na sua própria região.

Esta semana, a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai, países fundadores do Mercosul, retiraram a Caracas a presidência rotativa do mercado comum sul-americano, preferindo assumi-la conjuntamente.

A Venezuela é acusada de ter ratificado um número restrito de normas jurídicas do Mercosul desde que aderiu ao bloco, em 2012. Em resposta, Caracas recusou esta decisão e afirmou que continua a presidir à organização, fundada em 1991.