Rádio Observador

Pedro Passos Coelho

Afinal, Passos recua e não vai apresentar o “livro proibido”

927

Passos mudou de ideias por causa das questões privadas retratadas na obra de José António Saraiva e "desobrigou-se" de apresentar livro. Apresentação foi entretanto cancelado pela editora.

STEVEN GOVERNO/LUSA

Quando a polémica rebentou, Pedro Passos Coelho ainda tentou que o assunto não se tornasse “uma questão partidária”, disse que não tinha lido a obra e que, em todo o caso, não tinha sido escrita por si. Mas já era tarde demais. Tudo por causa do polémico livro de António José Saraiva, ex-diretor do semanário Sol e do Expresso, que revela conversas privadas (e de foro íntimo) que o jornalista teve com vários políticos, alguns dos quais já falecidos. António José Saraiva convidou o líder do PSD para apresentar a obra, Passos aceitou e, mesmo depois de ter sido atacado em várias frentes, manteve a palavra. Agora, uma semana depois de o caso estalar, Passos recua e já não vai apresentar o autointitulado “livro proibido”, noticia a Sábado e a edição do jornal i desta quarta-feira.

Segundo a Sábado, Pedro Passos Coelho terá contactado esta terça-feira o autor do livro no sentido de lhe pedir para o “desobrigar” de apresentar publicamente a obra, não querendo voltar com a palavra atrás mas ao mesmo tempo não querendo envolver-se mais na polémica. Antes, contudo, segundo relata a revista no seu site, Passos já tinha falado com José António Saraiva no sentido de lhe dizer que não era por estar a ser criticado que deixaria de o fazer. “Se não fosse atacado por isto seria por outra coisa qualquer”, terá dito o líder do PSD ao autor da obra “Eu e os Políticos”.

O jornal i desta quinta-feira adianta que Passos Coelho mudou de ideias por causa do conteúdo do livro e das questões privadas que nele aparecem retratadas.

Esta decisão foi absolutamente inesperada, mas acho compreensível. Metendo-me na pele de Pedro Passos Coelho, é de facto a atitude mais sensata”, diz Saraiva àquele jornal.

A editora da obra também confirmou o recuo. Em comunicado enviado esta terça-feira à noite à agência Lusa, a editora Gradiva afirma que o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho “pediu ao autor, por motivos pessoais, para o desobrigar de estar presente na sessão de lançamento do livro”, prevista para dia 26, às 18h30, no El Corte Inglés, em Lisboa. A Gradiva afirma que “o livro tem sido objeto de uma polémica, por vezes excessivamente inflamada, nos media e nas redes sociais”. Nesse sentido, José António Saraiva e “a editora consideram que o momento exige reflexão e que tudo farão para evitar o que possa contribuir para alimentar novas polémicas”.

“Por decisão conjunta do autor e da editora, a cerimónia [de apresentação da obra] foi cancelada”, lê-se no mesmo comunicado.

No livro, Saraiva descreve, segundo a Gradiva, “um conjunto de episódios polémicos, vividos na primeira pessoa, com diversos políticos e personalidades” portugueses, como Paulo Portas, Mário Soares, Marcelo Rebelo de Sousa, José Sócrates e Pedro Santana Lopes, assim como o atual primeiro-ministro, António Costa, incluindo pormenores mais íntimos e privados.

O recuo de Passos surge no mesmo dia em que o ex-conselheiro nacional do PSD Paulo Vieira da Silva, militante há 25 anos, anunciou a sua demissão do partido muito por causa do livro que classificou como “deplorável e nojento”.

Quando foi questionado publicamente sobre a polémica, este fim de semana, Passos disse aos jornalistas que mantinha a palavra, porque não era pessoa de “voltar atrás”, mas ao mesmo tempo quis distanciar-se, alegando que não era o autor do livro nem tinha de concordar com todo o seu conteúdo. “O autor é ele, não sou eu”, disse depois de sublinhar que tinha aceitado o convite de José António Saraiva por “respeito”, mesmo antes de ler a obra.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rdinis@observador.pt
Governo

A verdade da mentira

João Merino
732

Este governo geringoncico usa todos os artifícios e desinformação para criar uma ilusão de bem-estar e, com a complacência de uma boa imprensa, passa pelos pingos da chuva, imune a quase tudo.

Política

Os idiotas úteis da esquerda /premium

João Marques de Almeida
1.425

Pacheco Pereira e Marques Lopes querem fazer carreira na comunicação social como os cronistas de direita que atacam a direita. Eles querem ser a “direita” que a esquerda gosta.

Rui Rio

Portugal continua a não ser a Grécia /premium

Rui Ramos
396

Quando a Grécia se afundava em resgates, Passos impediu que Portugal fosse a Grécia. Agora, quando a Grécia se liberta da demagogia, é Rui Rio quem impede que Portugal seja a Grécia. 

António Costa

Prioridades à la carte /premium

Alexandre Homem Cristo
386

Capaz de prometer tudo e o seu contrário, este PS de 2019, embriagado pela hipótese de uma maioria absoluta, não é diferente daquele PS de 2009, cuja soberba atirou um país para o abismo.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)