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São Pedro do Sul. Buscas suspensas e contingente operacional desativado

Este artigo tem mais de 4 anos

O crime começou em Aguiar da Beira mas a perseguição vai no distrito de Viseu. Foram encontrados objectos do suspeito perto do distrito de Aveiro. Buscas foram suspensas.

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PAULO NOVAIS/LUSA

PAULO NOVAIS/LUSA

As buscas por Pedro João Dias, o alegado atirador que matou duas pessoas e deixou outras duas em estado grave, foram suspensas na zona de São Pedro do Sul. A informação foi adiantada pela GNR, numa nota enviada às redações ao final da tarde de quarta-feira, depois de um dia sem resultados. Grande parte do dispositivo no local também foi desmobilizado, mantendo-se apenas as patrulhas de procedimento de proximidade, para garantir a segurança às populações.

Ao início da tarde, as autoridades descobriram esta madrugada objetos do fugitivo. O padre Eurico Teixeira de Sousa, pároco da aldeia de Candal, contou ao Observador que “foram encontrados indícios, objetos que o suspeito tinha com ele, para lá do rio, ou seja, mesmo na aldeia do Candal”. Isto pode significar que o suspeito já passou pelas aldeias de Póvoa de Leiras e Coelheira, estando cada vez mais perto do distrito de Aveiro. O posto de comando das operações passou para a aldeia de Tebilhão, já no distrito de Aveiro.

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De acordo com a TVI24, o suspeito pode estar ferido. Os cerca de 200 militares do Comando Territorial de Viseu da GNR que estiveram envolvidos nas buscas não conseguiram encontrar o principal suspeito dos crimes que ocorreram na madrugada desta terça-feira, e dos quais resultaram dois mortos, um ferido ligeiro, que entretanto já recebeu alta, e dois feridos graves. Desses dois feridos graves, e de acordo com informação avançada pelo Hospital de Viseu à comunicação social, a mulher de 29 anos está em estado muito reservado.

Durante a noite, as populações das aldeias foram aconselhadas a manterem-se em casa, com as janelas e as portas fechadas. Ao Observador, o padre Eurico Teixeira de Sousa explica que “foi uma noite, apesar de tudo, serena”. Os habitantes estavam “serenos, apreensivos, cumpriram as indicações da Junta e da GNR de se recolherem em casa e de não pararem as viaturas”. O silêncio da noite terá sido interrompido apenas por um falso alarme. “Parece que uma senhora ouviu um barulho na sua loja, alertou logo a filha, que chamou a GNR. Foi lá tanto a GNR como a Junta de Freguesia, e concluíram que era um falso alarme”.

Fugitivo avistado às 15h de terça

O major Pedro Gonçalves, da GNR de Viseu, indica que a ação das autoridades está sobretudo focada na segurança das populações. Entretanto, a GNR já informou os habitantes das populações da zona que podem retomar as suas vidas normais, após terem sido aconselhados a manter-se em casa com as portas e janelas fechadas, e a não parar os carros no meio da rua.

O principal suspeito, que continua a monte, foi identificado através da carta de condução encontrada no bolso do militar morto. É Pedro Dias, de 44 anos, um piloto de aviões natural de Arouca que vivia em Fornos de Algodres, e que esteve emigrado na África do Sul. De acordo com o major Pedro Gonçalves, “o suspeito foi avistado ontem por volta das 15h00”, sendo que depois disso já não houve “qualquer avistamento”. Ainda assim, as autoridades acreditam “que o suspeito ainda se mantenha nesta área” — nas aldeias de São Pedro do Sul.

O Grupo de Intervenção e Operações Especiais da GNR considerou-o um “homem perigoso”: está fortemente armado (com pelo menos uma caçadeira de canos serrados) e já é conhecido das autoridades por envolvimentos em “atividades ilícitas”, designadamente por outros roubos na zona de Aguiar da Beira.

Quem tiver informação útil para a detenção do suspeito pode contactar as autoridades através do número 232 467 940. As autoridades também pediram que se evitasse a N326, que liga S. Pedro do Sul e Arouca.

Segundo apurou o Observador, têm sido feitas várias chamadas para a GNR por parte das pessoas que mostram preocupação com a situação e vão colocando várias perguntas sobre o que está a acontecer. No entanto, como reconheceu o major Pedro Gonçalves, já ao final da tarde, a divulgação de uma suposta fotografia do atirador, provocou uma onda de “vários avistamentos desde a norte a sul do país, o que dificulta em muito a investigação“.

A vermelho, Aguiar da Beira, onde aconteceu o primeiro tiroteio. A verde, Candal, onde se concentram os maiores esforços das autoridades neste momento.

Suspeito pode sobreviver “alguns dias” na zona de Candal

A GNR está convicta de que o suspeito consiga sobreviver durante “alguns dias” na zona de Candal, em S. Pedro do Sul, onde estão concentradas as buscas, disse esta quarta-feira o major Pedro Gonçalves. “Pelas informações recolhidas, estamos a falar de uma pessoa que, além de conhecer bem o terreno, uma vez que ele é [de] muito próximo daqui, tem familiares e tem residência em Arouca”, afirmou aos jornalistas a meio da manhã, no posto de comando da GNR instalado na localidade de Póvoa as Leiras. Além disso, o suspeito teve treino militar quando esteve na África do Sul, estando preparado para sobreviver em situações de emergência.

Além da vantagem de conhecer o terreno, a GNR tem informações de que se trata de “um indivíduo que é capaz de sobreviver durante alguns dias, uma vez que tem propriedades, tem pessoas que o poderão abrigar nesta área”, acrescentou. “Poderá manter-se por aqui durante alguns dias”, sublinhou Pedro Gonçalves, aludindo à zona do concelho de S. Pedro do Sul, no distrito de Viseu, que faz fronteira com o concelho de Arouca, no distrito de Aveiro.

“Não se ouve nada na aldeia”

José Dias estava a tomar o seu café no fim de almoço, em Manhouce, quando a polícia parou à porta. “Disse-nos para não andarmos na rua e para trancarmos os carros”, conta por telefone ao Observador. A esta hora já José Dias sabia o que estava a acontecer. Um homem em fuga, depois de deixar um rasto de sangue pelo caminho. Depois veio a polícia e José foi para casa.

“O homem conhece aqui a região, se calhar até já o vi…”, desabafa. Na aldeia, não se vê ninguém nem se ouve nada. “Não há pessoas na rua e a aldeia está toda muito silenciosa.”

Isabel Silvestre estava em casa quando começou a receber telefonemas de amigos e familiares. “Hoje precisava era de uma telefonista!”, graceja. Mas está com algum receio. “Vou fechar tudo e ver o que dizem na televisão, mas isto é uma coisa de terror, o homem está a monte, anda aí pela serra…”.

Como tudo começou

O crime começou na madrugada de terça-feira, altura em que os dois militares se encontravam a patrulhar um hotel em construção. De acordo com o Jornal de Notícias, ao verem uma carrinha suspeita aproximar-se, mandaram-na parar. O Correio da Manhã avança que os homens seriam suspeitos de roubo de cobre. O condutor terá então saído da viatura e disparado sobre o guarda Carlos Caetano, enquanto este ligava para a central, para identificar os suspeitos, acabando por morrer no momento. Os assaltantes terão de seguida forçado o colega do militar a colocar o cadáver na bagageira do carro-patrulha, e a levar a viatura para um parque industrial próximo, onde amarraram o polícia a uma árvore.

O assaltante que matou Carlos Caetano pegou depois no veículo da GNR e regressou ao local do crime onde abandonou o carro. De seguida fugiu em direção à estrada nacional 229, e parou um carro, onde seguia um casal. Baleou o homem e a mulher, roubou o carro e fugiu. A mulher, Liliane, ficou ferida e em estado crítico — às 22h30 de terça-feira encontrava-se ainda no bloco operatório do Hospital de São Teotónio, em Viseu — e o homem, Luís Pinto, de 25 anos, acabou por não resistir.

O militar que ficou amarrado à árvore conseguiu libertar-se pelas 7h25 de terça, e conseguiu chamar reforços, que seguiram em perseguição do suspeito. O suspeito abandonou este carro na aldeia de Candal, tendo ainda estado envolvido numa troca de tiros com os militares que o perseguiam. Desta troca de tiros resultou um guarda ferido. Pedro Dias acabou por conseguir fugir, encontrando-se agora desaparecido. É nesta zona, de Candal, que se concentram os maiores esforços das autoridades.

A identidade de um dos militares mortos também já foi revelada: Carlos Filipe Caetano tinha 29 anos e “acabou por não resistir à gravidade dos ferimentos”. Foi ele o militar encontrado na bagageira da viatura de patrulha em que os assaltantes fugiram, mas que largaram ao fim de cinco quilómetros num descampado. O militar ferido tem 41 anos e está “a lutar pela vida” no Hospital de Viseu.

As outras duas vítimas foram encontradas atrás de um arvoredo “em paragem cardiorrespiratória”. Tanto o casal como os militares foram primeiramente assistidos no local por uma ambulância de Suporte Imediato de Vida de Aguiar da Beira e por uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação de Viseu.

No total, duas pessoas morreram, um militar já teve alta e outro continua em observação no Hospital de São Teotónio, em Viseu. A mulher encontra-se nos cuidados intensivos neste mesmo hospital. A GNR garante que está a dirigir “todos os esforços para detetar os suspeitos, tendo até mesmo avisado a polícia espanhola sobre o sucedido: há a possibilidade de os assaltantes terem entrado no país vizinho.

Montámos uma operação no terreno com todos os meios disponíveis da GNR, mais outras forças e serviços de segurança. [A operação] divide-se em controlo de determinados locais, como fronteiras, e fundamentalmente uma componente móvel, onde os meios estão a ser colocados em determinados pontos do território nacional para que rapidamente se localizem e capturem os suspeitos”, informou.

José Alho, presidente da Associação Socio-Profissional Independente da Guarda, contou ao Observador que a localização exata dos fugitivos é desconhecida. Esse facto e a fraca luminosidade podem ser as vantagens dos assaltantes: “Eles estão escondidos e podem conhecer melhor o terreno que os guardas destacados para o local. De qualquer modo, acredito que a polícia esteja a trabalhar com cães e isso dificulta uma eventual fuga para Espanha”. José Alho acredita que amanhã a situação já esteja normalizada: “Eles não têm escape possível. E também sabem que não vão apanhar mais do que 25 anos de prisão, a pena máxima em Portugal. Por isso amanhã já tudo deve estar mais calmo”.

*Artigo atualizado às 19h20 com a informação sobre a suspensão das buscas

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