Sem peias, nem teias. Em entrevista concedida esta terça-feira à Reuters, Donald Trump propõe que Barack Obama seja investigado a propósito do caso do servidor de e-mail privado de Hillary Clinton — que esta usou quando foi secretária de Estado do próprio Obama. “Ele sabia de tudo. É por isso que ele a apoia, porque não quer ser arrastado com ela.” A Casa Branca recusou-se, por enquanto, a comentar as acusações de Trump.

Também esta terça-feira, a WikiLeaks disponibilizou e-mails da conta do diretor de campanha de Hillary Clinton, John Podesta, que demonstram como os democratas reagiram com preocupação às declarações de Obama, quando este garantiu (em março de 2015) não saber do servidor de e-mail privado de Clinton e que foi informado deste pela imprensa. “Temos que limpar isto. Ele [Obama] tem e-mails dela e não são governamentais”, escreveu Cheryl Mills, há muito assessora de Clinton, num e-mail endereçado a Podesta.

Mas voltando a Trump e à entrevista que este deu à Reuters. A eleição está próxima, será a 8 de novembro, as sondagens foram-se tornando mais e mais desfavoráveis com as polémicas recentes — nomeadamente o “grab them by the pussy” –, mas Trump reage, que voltar tudo do avesso e vencer, e fá-lo com mais… polémica. Hillary Clinton é pretexto para falar da Síria. Ou vice-versa.

“Ela não tem um plano para a Síria. Com ela, isto vai terminar na Terceira Guerra Mundial. Ela não sabe o que está a fazer — tal como não sabia o que estava a fazer na Líbia, tal como não sabe em nada do que faz.”

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Mas o que quer Trump fazer em relação à Síria? Nada. E tudo. “A Síria não é mais a Síria. A Síria é a Rússia, é o novo Irão. Portanto, nós não estamos a combater a Síria, mas sim a Síria, a Rússia e o Irão. A primeira coisa que temos que fazer é livrar-nos do Estado Islâmico”, diz Trump, contraditório, pois quer afastar-se da Síria (pela proximidade política e militar com russos e iranianos) e combater um grupo extremista islâmico que atua naquele país.

Trump falou da Rússia. E associou-a à Síria. Mas tão depressa retira a mão de Putin, como lhe aproxima a outra. E garante: “Espero que venhamos a ter uma relação boa com a Rússia. E espero vir a ter uma relação boa com Putin. Eu não sou nem amigo nem inimigo dos russos. Não tenho nada a ver com a Rússia.” E Hillary, o que tem a ver com a Rússia e Putin? “Ela está sempre a dizer que o Putin é mau. Se ela vencer, como é que vai voltar atrás e negociar com este homem que ela diabolizou?”

Mas Hillary não vencerá. Trump acredita que será ele o vencedor. E explica que só não será se os republicanos não quiserem: “Milhares de pessoas estão aí e vão votar. Eu acredito que essas pessoas estão muito, muito desapontadas com os líderes [do Partido Republicano), que não nos estão a ajudar a vencer. O que eu sei é isto: se os líderes me ajudarem, nós não perderemos esta eleição. Isso será uma impossibilidade.”