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Sociedade

A superação também se aprende

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Será que estamos preparados para superar as mais diversas adversidades que a vida nos apresenta? Este é um dos temas que estará em discussão, na conferência do próximo dia 23, no Museu do Oriente.

HUGO AMARAL/OBSERVADOR

Superar, eis o verbo porventura mais difícil de conjugar. Superar-se a si mesmo, superando barreiras e dificuldades, elevando-se acima de dores e sofrimentos, perplexidades e dúvidas, é aquilo que nos permite ir mais alto e mais longe. Vale a pena percebermos quais os grandes pontos de superação. E sabermos quem são e onde estão os pilares onde nos podemos apoiar.

Teremos sempre boas razões para desanimar e baixar os braços, mas a vida não para porque nós paramos e, por isso mesmo, é importante perceber que a superação também é uma atitude que podemos cultivar.

Tudo começa por identificarmos os nossos próprios medos e contradições, já que são os maiores obstáculos à partida. Não são os únicos, note-se. Há outros e também são muito expressivos. Podem estar onde menos esperamos e estão, certamente, nas fases de dor, de crise e de perda. E estão, sem dúvida, sempre que somos vítimas de acontecimentos ou pessoas.

Associamos a superação ao fracasso próprio, mas nem sempre é assim. Também podemos superar-nos em plena doença; podemos revelar forças incríveis a partir de um diagnóstico terrível e podemos multiplicar capacidades depois de acidentes graves. É essencial perceber que está na nossa mão emendar os erros e evoluir com os falhanços, mas também está em nós o poder de ultrapassar situações extraordinariamente adversas que não podemos evitar e para as quais nem sequer contribuímos.

Acidentes, desastres e doenças acontecem a todos, não há volta a dar. A diferença reside na forma como atravessamos as realidades mais difíceis. Podemos avançar numa lógica de superação, mas também podemos ficar em negação. Ambas as opções são duras e exigentes, mas uma é infinitamente mais luminosa que a outra. Apostar na superação é fazer tudo e dar tudo para que a vida não pare.

Médicos, cientistas e investigadores são diariamente interpelados na sua coerência profissional, pois optaram por dedicar as suas vidas ao estudo de novas possibilidades de tratamento e cura. A sua escolha foi lançarem-se na aventura do desconhecido, tentando superar-se constantemente no conhecimento e prática das suas áreas de especialidade. Também para eles a vida de observação, análise e síntese não pode parar. É o seu imperativo ético, moral e profissional.

Acontece que nem sempre escolhemos a via da superação, seja ela profissional ou outra, e isso faz com que sejamos obrigados a suspender alguma coisa de cada vez que a vida se mostra mais desconforme. Sempre que as coisas não vão ao encontro das nossas expetativas, ou não estão de acordo com os nossos sonhos e desejos, impõe-se uma pausa.

Seja para respirar, recuperar as forças e o alento, seja para refletir e ponderar caminhos alternativos, na verdade somos forçados a um tempo do meio, por assim dizer. E é neste tempo do meio que muita coisa ganha novos contornos.

Superarmos-nos equivale sempre a transcendermos-nos. A excedermos as expectativas que temos sobre nós próprios. Mas para transpor obstáculos, ultrapassar barreiras e vencer medos precisamos de forças interiores e exteriores. Necessitamos dos outros. Toda a superação exige coragem e uma mão forte. A valentia consegue-se com recursos interiores, quando somos capazes de calar os medos que gritam cá dentro, mas também com abertura aos que, vendo-nos de fora, nos ajudam porque acreditam em nós e confiam inteiramente nas nossas capacidades. Nos nossos dons e talentos.

Superar pode realmente ser o verbo mais difícil de conjugar em situações extremas ou no sofrimento radical, mas é seguramente aquele que nos permite ir além de nós próprios. E mais, é a única atitude que nos faz subir degraus para atingir patamares de confiança nunca antes suspeitados.

Conhecer pessoas que se superam todos os dias, mês após mês, ano após ano, torna-nos incrivelmente mais fortes porque os homens e mulheres de todas as gerações que vivem em constante superação são o testemunho vivo de que é possível sobreviver aos piores acontecimentos. Por outro lado, ouvir especialistas partilharem os seus conhecimentos sobre matérias tão sensíveis e complexas como as várias formas de superação, transforma o nosso olhar e enche-nos de ferramentas para a vida.

Por tudo isto, o Observador está a organizar mais uma conversa offline para promover o encontro dos leitores com especialistas, investigadores, cuidadores e testemunhos inspiradores, de forma a todos percebermos melhor como podemos convocar as nossas forças de superação.

No próximo dia 23 o Observador e a Fidelidade convidam os leitores a participar em mais um encontro offline, desta vez no Museu do Oriente, entre as 18h e as 20h. A entrada é livre e todos são muito bem vindos.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

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