O presidente da Rússia, Vladimir Putin, telefonou esta segunda-feira a Donald Trump para afirmar que está “pronto para um diálogo de parceria” com os Estados Unidos, na sequência da vitória do republicano nas eleições americanas.

Segundo relata a agência Reuters, o Governo russo afirmou, num comunicado à imprensa, que os dois líderes concordaram em unir esforços para desenvolver uma “cooperação construtiva” no combate ao terrorismo. “A importância de criar uma base sólida para estreitar laços bilaterais foi destacada, em particular, em relação ao desenvolvimento de uma componente comercial e económica“, complementou uma fonte do Kremlin.

O comunicado citado pela agência diz que as relações entre os Estados Unidos e Rússia são “altamente insatisfatórias” e apela que os dois países retomem “uma cooperação pragmática e mutuamente benéfica, que atenda aos interesses dos dois países, além da estabilidade e segurança do mundo”.

A equipa de Trump confirmou o telefonema de Putin à Reuters e avançou que o Presidente eleito dos Estados Unidos espera uma “relação forte e duradoura com a Rússia e o seu povo”.

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Trump e Putin têm estado a trocar elogios desde o ano passado. O republicano chegou a comentar, em dezembro, que o Presidente russo era “um líder forte e poderoso que representa seu país”. Em junho, o líder do Kremlin reiterou uma afirmação feita em dezembro, que qualificava de Trump de “brilhante”.

No entanto, em agosto, o Kremlin negou que Putin, tivesse feito contactos com Trump, apesar da troca de elogios mútua.

Em setembro, o líder russo fez uma manifestação indireta de apoio ao republicano, dizendo que olhava “com simpatia” para quem defende uma relação com a Rússia baseada na igualdade.

Em outubro, durante o terceiro e último debate das eleições americanas, Hillary Clinton acusou Trump de ter estado a receber ajuda do Presidente russo durante as eleições. Chamou-lhe “fantoche” de Putin, ao citar a investigação que o Departamento de Estado norte-americano fez ao Wikileaks por alegadamente estar a trabalhar diretamente com o Governo russo para influenciar o resultado das eleições.

Clinton acusou ainda Trump de preferir acreditar em Putin do que em “17 agências de informações secretas norte-americanas” no episódio do ataque informático contra a campanha do Partido Democrata, que revelou mais de dez mil mensagens do diretor de campanha. “É lamentável que a campanha de Trump esteja a festejar uma divulgação preparada por Vladimir Putin para interferir nestas eleições. (…) O timing demonstra que até Putin sabe que Trump teve um mau fim-de-semana e um mau debate”, afirmou o porta-voz de Clinton durante a campanha eleitoral, Glen Caplin.