O secretário-geral do PCP disse, quinta-feira à noite, em Coimbra, que vai lutar pelo aumento de 10 euros em todas as pensões no debate da especialidade do Orçamento do Estado para 2017.

Jerónimo de Sousa justificou o voto favorável do partido na aprovação do Orçamento do Governo para o próximo ano com o “objetivo de limitar aspetos negativos que a proposta comporta e inscrever novos avanços na melhoria das condições dos trabalhadores”.

Segundo o líder comunista, os deputados do PCP vão bater-se, na discussão de especialidade, “pelo aumento de 10 euros em todas as pensões, incluindo das mais baixas e pelo fim das restrições aos direitos e retribuições dos trabalhadores da administração pública”.

O dirigente partidário considerou que a consagração de 10 euros das pensões e reformas para a larga maioria de pensionistas é uma medida que tem uma “inegável importância”, mas defende que o aumento seja alargado a todos os reformados e pensionistas.

Apesar de elogiar várias medidas do Orçamento para 2017, entre elas a disponibilidade do Governo para combater a precariedade na administração pública, Jerónimo Sousa considera que o executivo socialista ainda não se livrou da “submissão ao capital monopolista”.

Para o líder do PCP, o Governo “resiste a libertar-se das imposições europeias, do Euro, do domínio do capital monopolista e de outros constrangimentos, como da dívida e do seu serviço, que comprometem a resposta que o país precisa para afirmar o seu desenvolvimento soberano”.

O secretário-geral dos comunistas lamenta que todo o esforço que o saldo positivo das contas evidencia, com uma previsão de cinco mil milhões de euros em 2017, vá para “o pagamento dos juros da dívida”, que anualmente ronda entre os 7 mil milhões e os 8,5 mil milhões de euros, e nada para “por o país a crescer e a desenvolver-se”.

Ao nível da banca, Jerónimo de Sousa voltou a defender o seu controlo público, concretizado no imediato com o reforço da atividade da Caixa Geral de Depósitos e da integração do Novo Banco na esfera pública, através de um processo de nacionalização.

O dirigente partidário, que falava no auditório do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, praticamente lotado, numa sessão sobre o “PCP e a situação nacional”, salientou que os “problemas do país não desapareceram só porque foi derrotada a coligação PSD/CDS”.

“A luta continua a ser decisiva para assegurar a inversão do rumo de retrocesso económico e regressão social que o país conheceu nestes últimos anos”, sublinhou.