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Caio Júnior e Marcelo Boeck: os homens do Chapecoense que passaram por Portugal

Este artigo tem mais de 4 anos

O treinador do Chapecoense, Caio Júnior, jogou durante nove anos em Portugal no Vitória de Guimarães, Estrela da Amadora e Belenenses. Marcelo Boeck, que não embarcou, passou pelo Sporting e Marítimo.

Caio Júnior foi, muitas vezes, uma dor de cabeça para “os três grandes”. Ao serviço do Vitória de Guimarães evidenciou-se na frente de ataque e deixou a sua marca, como neste jogo contra o Sporting, no qual abriu o marcador e facilitou a vitória dos vimaranenses.

O treinador do Chapecoense, de 51 anos conhecia bem o futebol português e ao longo de nove anos, passou por três clubes: Vitória de Guimarães, Estrela da Amadora e Belenenses.

Caio Júnior chegou ao futebol nacional na época 1987/88 e destacou-se ao serviço do Vitória de Guimarães, ao realizar 114 jogos e ao apontar 31 golos. Foi pelo clube vimaranense que o antigo avançado conquistou ainda a Supertaça Cândido de Oliveira.

Luís Carlos Saroli, verdadeiro nome de Caio Júnior, nasceu na cidade brasileira de Cascavel, no Estado do Paraná, a 8 de março de 1965. Começou a jogar futebol aos 15 anos de idade numa equipa de futebol de salão da sua cidade. Deu nas vistas e começou a integrar a equipa principal do Cascavel, clube onde também brilhava outro ponta de lança brasileiro bem conhecido dos portugueses e primo por afinidade de Caio: Paulinho Cascavel.

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Paulinho Cascavel, antigo avançado do Sporting e V. Guimarães, não se cruzou apenas com Caio Júnior nos relvados. A sua mulher era prima da mulher de Caio, pelo que por afinidade os jogadores também se tratavam por primos. O antigo avançado do Sporting mostrou-se chocado com a tragédia.

Depois de se revelar no futebol brasileiro, Caio Júnior começou a ser seguido pelo Vitória de Guimarães, mas o seu clube na altura, o Grémio de Porto Alegre, não estava disposto a deixá-lo sair. O clube da cidade berço acabou por contratar o brasileiro na época 1986/87, face à manifesta vontade de Caio Júnior em rumar ao futebol europeu.

A sua estreia oficial com a camisola do Vitória ocorreu no dia 23 de Agosto de 1987, no Estádio da Póvoa de Varzim, num jogo que terminou empatado a 2-2. Nesse jogo, Caio Júnior não mostrou serviço, tendo apenas entrado no decurso da partida para substituir o médio Carvalho.

Essa época foi de má memória para a equipa de Guimarães mas, ainda assim, o avançado brasileiro foi, estatisticamente, um dos melhores da equipa, ao jogar em 31 encontros e apontar oito golos.

Foi igualmente ao serviço dos vimaranenses que se estreou nas competições europeias. Na sua época de estreia o Vitória chegou aos oitavos de final da Taça UEFA, acabando por ser eliminado pelo Viktovice da Checoslováquia, por 5-4, no desempate através da marcação de grandes penalidades.

A dupla com Chiquinho Carlos

Caio Júnior formou uma das duplas atacantes inesquecíveis dos vimaranenses com o seu compatriota Chiquinho Carlos. Na temporada 1989/90, sob o comando de Paulo Autuori, concretizaram nove golos nos 23 jogos do campeonato nacional, numa parceria que ainda hoje é falada no clube da cidade berço, ou não fosse perfeita sintonia entre os dois jogadores. Tecnicista puro, com excelente visão de jogo, Caio Júnior não era um goleador por natureza, mas destacava-se no apoio ao ponta de lança.

A sua última época em Guimarães não foi relevante, bem como o percurso da equipa em todo o campeonato. Ainda assim, marcou cinco golos ao longo dos 24 jogos, como aconteceu frente ao Vitória de Setúbal, jogo que a equipa venceu por 2-0.

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Ajudou o Estrela a subir à I Liga

De Guimarães rumou à Amadora, numa altura em que a equipa tricolor disputava a 2ª Divisão de Honra do futebol português. Sob o comando técnico de João Alves, foi titularíssimo, marcou 11 golos, sagrou-se campeão e ajudou o Estrela da Amadora na ansiada subida à I Liga.

Na segunda época ao serviço dos tricolores arrefeceu a sua veia goleadora, apontando apenas dois golos ao longo da temporada. Já com 30 anos, acabou por regressar ao Brasil, ao Internacional de Porto Alegre, mas a sua passagem pelo clube brasileiro foi muito difícil devido às lesões que o impediram de jogar com regularidade.

Termina carreira em Portugal no estádio que primeiro o recebeu

Novamente chamado por João Alves, que entretanto assumiu o comando técnico do Belenenses, Caio Júnior regressa a Lisboa para atuar com a equipa dos azuis do Restelo. A sua estreia aconteceu, precisamente, frente à sua primeira equipa em Portugal, o Vitória de Guimarães, mas não marcou qualquer golo.

Curiosamente acaba por terminar a carreira em Portugal, ao serviço do Belenenses, no estádio que lhe abriu as portas para o futebol português. No dia 14 de maio de 1995 no Estádio D. Afonso Henriques, viu os vimaranenses vencerem a equipa do Restelo por 3-0. A sua presença em campo também não foi notada.

O clube de Guimarães ficou no coração do treinador, que, em tempos, em entrevista ao Mais Futebol, desejou até treinar a equipa portuguesa.

Depois de uma passagem pelo campeonato brasileiro, o ex-futebolista iniciou a carreira de treinador em 2000, no clube brasileiro Paraná, passando depois pelo Japão, Qatar e pelos Emirados Árabes Unidos, de onde saiu na última época para orientar o Chapecoense.

Entretanto, o clube de Guimarães já lamentou a morte do seu antigo jogador:

Também o clube lisboeta fez questão de recordar “com um carinho especial a figura de Caio Júnior, técnico da equipa, que tantas lembranças deixou no Restelo”.

https://www.youtube.com/watch?v=oxgcGrNpIBg

Jesus lamenta a perda de um amigo

O treinador do Sporting, Jorge Jesus, era amigo pessoal do técnico brasileiro e manifestou-se muito consternado com a tragédia. “Triste não só pelos desportistas, mas também pelo treinador, é um grande amigo meu, fez um estágio comigo em Portugal, estive várias vezes no Brasil com ele”, começou por recordar Jorge Jesus em declarações prestadas ao canal de televisão do clube de Alvalade.

“É uma tragédia. Uma tragédia não só para as famílias, mas penso que para todos os desportistas em Portugal e no Brasil. Está a ser uma situação muito complicada… tenho estado a falar com amigos em Curitiba. Aquilo que posso fazer é rezar um pouco por eles e pelos familiares, prestando homenagem de sentimento por eles”, disse o técnico leonino.

Filho de Caio não embarcou por se esquecer do passaporte

Matheus Saroli, de 24 anos, filho do técnico paranaense estava para embarcar com o pai quando se apercebeu que se tinha esquecido do passaporte. O jovem que nasceu em Portugal, acabou por não entrar no avião e através das redes sociais relatou:

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Aniversário salvou Boeck da tragédia

O jogador Marcelo Boeck, ex-guarda-redes do Sporting, que que também atuou durante oito épocas no futebol português, entre o Marítimo e o clube leonino, jogava na equipa brasileira desde o início da temporada, mas escapou à tragédia.

Não foi convocado para o jogo que ia ser disputado em Medellin, porque tinha pedido dispensa da competição para poder celebrar o seu 32.º aniversário.

Na época 2007/2008, o guarda-redes chegou ao Marítimo para integrar o plantel da equipa B. A sua regularidade na equipa acabou por levá-lo, na temporada seguinte, ao plantel principal, muito embora nunca tenha conseguido superar o companheiro Peçanha, sobre quem recaiu a opção da titularidade.

Boeck acabou, no entanto, por conseguir, mostrar-se na temporada 2010/2011, garantindo a titularidade ao longo de 35 jogos do campeonato, tornando-se opção para Mitchell Van der Gaag e, mais tarde, Pedro Martins.

No Sporting, o jogador acabou por não ser tão feliz. Quando integrou a equipa, assinando contrato por cinco épocas, juntou-se a Rui Patrício e a Tiago. No entanto nunca conseguiu evidenciar-se, jogando em apenas seis partidas ao longo da sua estadia em Alvalade.

Entretanto, o clube leonino apresentou as condolências formalmente, através do site oficial, ao clube brasileiro, com um “abraço especial” para Marcelo Boeck:

O Sporting CP está com o Chapecoense e com as famílias de todos os que seguiam a bordo do avião, com um abraço especial a Marcelo Boeck na dor de ter perdido companheiros e amigos.

O Benfica, pela voz do seu presidente Luís Filipe Vieira disponibilizou-se a ajudar o conjunto brasileiro na criação de condições para minorar o sofrimento e superar a perda desportiva.

Profundamente chocado com a tragédia que afetou a equipa de futebol sénior da Associação Chapecoense de Futebol, em meu nome e do Sport Lisboa e Benfica endereço ao Clube e às famílias dos jogadores e da equipa técnica, as mais sentidas condolências e a solidariedade nesta hora inesperada de dor.

Antes do treino de terça-feira, a equipa do Benfica prestou uma homenagem ao Chapecoense, com palavras do capitão Luisão, após cumprirem no centro do relvado um minuto de silêncio.

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