“O céu não vai cair” mas se os italianos bloquearem, no referendo do próximo domingo, as alterações constitucionais propostas pelo primeiro-ministro Matteo Renzi. Contudo, garante o ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, em artigo de opinião no Financial Times, se o “Não” vencer, vai haver “consequências preocupantes” para toda a Europa. Só os italianos vão votar, mas é a toda a Europa que o referendo diz respeito, não apenas a Itália.

Paolo Gentiloni diz que o que está em causa neste referendo é mais do que pequenas alterações constitucionais. “O que está em causa é o futuro da estabilidade e das reformas”, garante o responsável.

Não há dúvida de que as emendas à nossa constituição são necessárias para tornar as nossas instituições mais eficientes: nenhum outro país europeu tem duas câmaras com funções duplicadas; é claro que existem deputados a mais; a falta de uma separação clara entre as responsabilidades nacionais e regionais atraíram críticas generalizadas. O valor das emendas propostas é tão óbvio que tem havido tentativas constantes de as introduzir desde a década de 80″.

O receio de muitos italianos, contudo, como se antecipou no texto Italexit? Ponha o cinto para (mais um) referendo decisivo, é que as alterações constitucionais podem dar ao primeiro-ministro demasiado poder. “Receios infundados”, escreve Paolo Gentiloni.

Aqueles que argumentam que um voto pelo sim irá resultar numa autoridade perigosamente concentrada, esses receios são infundados. O primeiro-ministro não iria obter quaisquer poderes adicionais — e já tem menos poderes do que qualquer chefe de governo na Europa. Qualquer pessoa que conheça Itália vai, imediatamente, reconhecer que esses argumentos são ridículos”.

“Confiante na sensatez dos compatriotas”, Paolo Gentiloni diz que acredita numa vitória do sim. Nas últimas duas semanas antes do referendo, não pode haver divulgação de sondagens, daí que seja muito difícil prever o resultado. O que se acredita é que as intenções de voto estejam divididas, com maior inclinação para o não e muitos indecisos.