O caso da falsa embaixada dos EUA que funcionava há 10 anos no Gana é tão caricato que até o próprio Departamento de Estado norte-americano adotou um tom invulgarmente humorístico quando denunciou o caso. Assim começa o comunicado daquele órgão estatal de Washington D.C.:

Em Acra, Gana, havia um edifício que hasteava a bandeira americana todas as segundas, terças e sextas-feiras, das 7h30 às 12h00. No interior, estava uma fotografia do Presidente Barack Obama e sinalética que indicava que se estava na Embaixada dos EUA no Gana. No entanto, não se estava. A embaixada era uma marosca.”

A embaixada, que funcionava num edifício decadente de dois andares, foi encerrada este verão após uma investigação da (verdadeira) Embaixada dos EUA em Acra e as autoridades do Gana. No comunicado que dava conta desta informação, que foi tornada pública apenas no dia 2 de novembro, é explicado que a embaixada funcionava em conluio com duas “localizações satélite”: uma loja de vestidos e um prédio de habitação. Na loja dos vestidos, havia uma máquina de costura que era usada para encadernar os passaportes falsos que esta embaixada emitia de forma fraudulenta.

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Esta é a verdadeira Embaixada dos EUA em Acra, capital do Gana (Departamento de Estado dos EUA)

O sistema era gerido por círculos criminais do Gana e da Turquia.

De acordo com a investigação, “a falsa embaixada não aceitava marcações”. Em vez disso, angariavam clientes “nas partes mais remotas da África Ocidental”, depois levavam-nos até um hotel em Acra, onde ficavam alojados. Além de os “funcionários” desta falsa embaixada chegarem aos clientes de forma direta, também havia anúncios — em folhetos e em cartazes publicitários — no Gana, na Costa do Marfim e no Togo.

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A embaixada emitia vistos válidos e outros que não eram genuínos, documentos falsos (entre os quais extratos bancários, certificados de habilitações ou de nascimento) em troca de 6 mil dólares — cerca de 5.590 euros.

Na operação em que foi desmantelada a falsa embaixada incluiu a detenção de “vários suspeitos” e foi apreendido um computador portátil, telemóveis, documentos de identificação falsos, 150 passaportes de dez países, e ainda outros verdadeiros e contrafeitos dos EUA, dos países da zona Schengen, Índia e África do Sul.