Será que a roupa que usa foi feita com mão de obra escrava? Em breve poderá ver essa questão respondida. Uma equipa de investigadores da empresa Applied DNA Sciences Inc. está a desenvolver diversas técnicas que pode vir a permitir identificar a origem do algodão da nossa roupa, com o objetivo de saber se provém de mão-de-obra escrava, conta a Reuters.

De acordo com o El Español, a empresa desenvolveu uma tecnologia que utiliza pequenos marcadores genéticos, que são pulverizados sobre o algodão e vão como um código de barras microscópico que pode ser localizado ao longo de todo o processo, em qualquer altura e lugar, de forma a analisar as amostras de algodão e verificar se existiu, ou não, algum tipo de fraude se tem origem em trabalho escravo.

“O objetivo principal é limpar a cadeia de fornecimento de algodão: eliminar qualquer desvio, qualquer rótulo inadequado e qualquer falsificação que possa ocorrer ao longo da cadeia de fornecimento”, afirma James Hayward, diretor executivo da Applied DNA Sciences, à Reuters.

Hayward revela que esta investigação foi motivada pelo aumento das preocupações da indústria do algodão, que usa trabalho infantil e escravo na colheita e no processo de produção de roupas.

O projeto ainda não está terminado, mas espera-se que “nos próximos dois anos seja possível distinguir as culturas globais de algodão com base na sua origem”, acrescenta. Assim, se a investigação e o projeto forem bem sucedidos, poderá ser possível localizar a origem das fibras do algodão e lutar contra o trabalho escravo.

Segundo o Índice Global de Escravatura de 2016, estima-se que cerca de 46 milhões de pessoas vivem como escravos e os países com os valores mais preocupantes são a Índia, a China, o Paquistão, Bangladesh e o Uzbequistão. O Uzbequistão – um dos maiores produtores de algodão do mundo – tem estado na mira de várias organizações de direitos humanos que acusam o governo de obrigar os cidadãos a participar na colheita, incluindo crianças.