As ações do BCP estão a negociar com ganhos expressivos esta terça-feira, na bolsa de Lisboa, no dia em que as ações do banco deixam de ser negociadas com direitos ao aumento de capital anunciado na semana passada. Os títulos já estiveram a valorizar-se 22,5% e, ao fim de uma hora de negociação, subiam 15,6% para 15,99 cêntimos, animados pelos elogios das principais agências de rating à operação de reforço de capitais.

A cotação de 15,99 cêntimos compara com o preço teórico de 13,83 cêntimos a que as ações negociavam na segunda-feira, se expurgarmos o efeito de as ações negociadas até ontem ainda conterem direitos ao aumento de capital. Em contraste, quem comprar os títulos a partir desta terça-feira já não estará a adquirir ações e direitos. Até ontem, cada ação continha um direito que permitia, depois, a subscrição de 15 novas ações a 9,4 cêntimos cada uma.

Os investidores que não quiserem acompanhar o aumento de capital devem dar ordem de venda dos direitos, para que estes sejam negociados em bolsa (em paralelo com as ações comuns).

O jogo entre ações e direitos, até que se conclua o aumento de capital, deverá garantir que o BCP viva as próximas semanas com alguma volatilidade em bolsa. Contudo, a operação de reforço dos capitais (que deverá permitir reembolsar o que falta ao Estado e melhorar os rácios) está a ser elogiada pelas agências de rating como um marco importante na História do banco.

Depois da canadiana DBRS e da Moody’s, também a Standard & Poor’s comentou na segunda-feira que, “se for bem sucedido, o aumento de capital irá melhorar a qualidade de risco” do BCP. Além disso, será um sinal de que existe “confiança dos investidores no plano estratégico do banco”, irá “aumentar a flexibilidade financeira” e, eventualmente, voltar a pagar dividendos.

Finalmente, a S&P afirmou que se o BCP conseguir fazer o aumento de capital isso irá tornar mais provável que o banco consiga “dar a volta na rentabilidade e limpar as exposições problemáticas, ainda que o stock verdadeiro de ativos problemáticos apenas possa descer gradualmente”