Rádio Observador

Biologia

Descoberta origem dos “círculos de fada” no deserto da Namíbia

105

Há anos que os cientistas querem saber o que gera os "círculos de fada" que mancham o deserto da Namíbia. Agora há duas respostas para o mistério. Mas ainda há quem não esteja convencido.

Lazer Horse

Duas equipas de descobriram a origem dos “círculos de fada” que pontilham algumas regiões do deserto da Namíbia e tem originado as mais diversas teorias. O segredo está escondido em duas explicações. Uma delas afirma que esses padrões de círculos espalhados pela areia são criados por térmitas que vagueiam debaixo do solo e limpam a vegetação na área onde os seus ninhos são construídos. Ao morderem o solo, as térmitas tornam-no poroso e permitem a criação de um reservatório de água da chuva a 50 centímetros de profundidade. Outra explicação acrescenta que os “círculos de fada” são o resultado de uma luta entre plantas por água: algumas delas fornecem sombra e mantêm água junto às suas vizinhas, mas prejudicam as mais distantes porque têm raízes muito longas para extrair água.

Corina Tarnita, bióloga da Universida de Princeton envolvida no estudo, diz que ambas as teorias estão corretas: como a ideia de que os padrões são um “campo de batalha” por água ainda não foi testada em laboratório, e como a teoria de que são formados por térmitas não explica porque é que os “círculos de fada” formam um padrão tão regular, o mais provável é que as térmitas sejam as responsáveis por fazer aparecer os círculos maiores no solo, mas que sejam as plantas as responsáveis por criar padrões tão regulares de pequenos círculos entre eles.

De acordo com os modelos virtuais criados pela equipa de Corina Tarnita, as térmitas começam por eliminar as plantas na área circular em redor dos seus ninhos. Nesse processo de destruição, se encontrarem outra colónias de térmitas inferior à delas, destroem-na e tomam conta do território. Mas se encontrarem uma colónia do mesmo tamanho, não lutam pelo espaço: estabelecem fronteiras.

Essas batalhas entre colónias podem criar no solo um padrão semelhante ao existente nos favos de mel, com cada colónia a ter outras seis vizinhas. No entanto, quando as plantas acima dos ninhos de térmitas competem por água, formam-se padrões semelhantes mas com círculos mais pequenos nos espaços que existem entre os “círculos de fada” mais largos.

Esta explicação está, contudo, a ser questionada por uma parte da comunidade científica, conta a News Scientist. Estes padrões já foram observados também nas zonas desérticas da Austrália, no estado do Arizona (EUA), no Brasil, no Quénia e também em Moçambique. Acontece que, em algumas regiões deste países onde surgiram “círculos de fada” não vive nenhum colónia de térmitas e, nos casos onde existem, não mostram o mesmo comportamento. Quem o conta é Stephan Getzin, cientista do Centro Helmholtz para a Investigação Ambiental: “Logicamente, se há círculos de fada na ausência de térmitas, então a teoria das térmitas não pode ser considerada como uma forte explicação para o fenómeno”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: mlferreira@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)