A atual presidente do maior partido da oposição em Cabo Verde, Janira Hopffer Almada, reeleita no domingo com mais de 97% dos votos, prometeu esta segunda-feira fazer uma “oposição forte” e ser uma “alternativa à governação” do país.

“Permitam-me agradecer a todos os cabo-verdianos, que mesmo não sendo militantes do PAICV, fazem questão que tenhamos uma oposição forte, que apresentemos propostas, que fiscalizemos a governação para podermos nos constituir numa alternativa à governação”, prometeu a reeleita líder do maior partido da oposição cabo-verdiana.

Janira Hopffer Almada falava à imprensa para dar a conhecer os resultados das eleições antecipadas no Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), em que era a única candidata à liderança. Para a presidente reeleita, o PAICV inicia uma “nova caminhada”, pretendendo ser um partido “mais forte” e a lutar por um Cabo Verde “mais justo”.

A líder partidária indicou que, dos 34.720 militantes inscritos, mais de 20 mil (60%) participaram no ato eleitoral de domingo, e mais de 97% votaram na candidatura única. Segundo a distribuição dos votos no país e na diáspora, dois por cento dos militantes votaram “Não”, um por cento em branco e não houve qualquer voto nulo.

“Este ato eleitoral demonstrou que a democracia é uma verdadeira escola de cidadania. Todos protagonizamos uma extraordinária jornada democrática, estribada em princípios e valores em que os militantes do PAICV puderam exercer o seu direito de voto e demonstrar de forma inequívoca a sua vontade”, sublinhou.

Janira Almada destacou o facto de a taxa de participação nestas eleições ter praticamente duplicado em relação às anteriores, quando foi de cerca de 11 mil militantes. A presidente salientou que isso acontece mesmo num contexto em que o PAICV está na oposição e depois de três derrotas eleitorais em 2016.

Janira Hopffer Almada foi eleita pela primeira vez presidente do PAICV em 2014, ainda quando o partido estava no poder em Cabo Verde, mas colocou o cargo à disposição dos militantes na sequência das derrotas eleitorais em 2016.

Após as eleições antecipadas, a presidente disse que o PAICV “ganha as condições para iniciar uma nova caminhada”, em que espera contar com todos os militantes, amigos e simpatizantes do partido.

A liderança de Janira Almada foi contestada por um grupo de destacados militantes, alguns seus antigos colegas no Governo liderado por José Maria Neves, que apresentaram um “Manifesto de Militância” a pedir mais diálogo interno, entendendo que eleições não vão resolver os problemas do partido.

Questionada pelos jornalistas, Janira Hopffer Almada respondeu que respeita a democracia interna, mas salientou que, em democracia, o povo é sempre soberano e que, neste caso, o povo do partido falou.

“Com esta taxa de participação e com esse sentido de votação superior a 97%, penso que o povo do partido entendeu que essas eleições eram importantes, necessárias, oportunas e determinantes para o fortalecimento do partido, para que sejamos uma oposição construtiva, eficiente e eficaz”, terminou a líder partidária. Apesar da contestação, não surgiram candidaturas alternativas à liderança do partido.

Depois da eleição, o PAICV tem o congresso marcado para os dias 17, 18 e 19 de fevereiro, e deverá contar com a participação de 230 delegados também eleitos domingo.