Os cartéis colombianos têm agora um novo foco de tráfico. Muitos já deixaram a droga para segundo plano para dar lugar ao tráfico de um metal precioso: o ouro. Juan Manuel Santos, presidente colombiano, afirmou que o governo abrira “guerra” à exploração mineira ilegal, afirmando inclusive que este é “um negócio que movimenta mais dinheiro do que a própria droga”. As declarações remontam a maio do ano passado e espelham a preocupação de algo que já existe há alguns anos no país da América latina, mas que só agora começa a ganhar forma de números preocupantes.

Os cartéis colombianos, geralmente focados no tráfico de droga, viraram-se para outro mercado: a exploração mineira de ouro. Os números mostram que esta é a primeira vez, segundo conta o jornal espanhol El Mundo, que a exploração ilegal e consequente tráfico de ouro supera os números obtidos pelo tráfico de droga. De acordo com o relatório mundial sobre as drogas, elaborado pela ONU, os números do tráfico de droga rondam 1 411 milhões de euros, enquanto que o tráfico de ouro supera os 2 milhões de euros.

No entanto esta não é uma problemática recente e tem ao longo dos anos agravado. Desde 2011 que as autoridades alertam para o facto da maioria das minas de exploradas estarem ilegais, assim como as condições nas explorações serem desumanas. A ONU já classificou, inclusive, a situação de “drama humanitário”.

“O ouro está a matar-nos”

As consequências vão muito além do expectável. Quem o diz é o fundador do movimento Vive La Gente, Daniel Mejía Lozano, que há muito alerta para o negativo que este tipo de situação é. Daniel Lozano afirmou ao jornal espanhol que “o ouro está a matar-nos” dizendo que o caso mais crítico encontra-se a norte de Tolima onde passa o rio Magdalena. Aí as preocupações vão desde o risco de deslizamento de terras por causa da exploração, às consequências humanas que passam pelas precárias condições de trabalho ou ainda os riscos para a saúde de quem está na exploração devido à exposição ao urânio. A prostituição de mulheres e tráfico infantil também é recorrente nas zonas exploradas.