O surto de hepatite A em Portugal e em mais 12 países da União Europeia está a atingir principalmente homens e, dentro desse género, destaca-se o grupo de homens que têm sexo com outros homens. Mas o presidente da Associação ILGA Portugal — Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero — diz que a questão não deve ser centrada num “grupo de risco”, mas sim em “comportamentos de risco” transversais a toda a população.

“A questão é que este grupo que se tem designado como HSH, homens que têm sexo com outros homens, é muito diverso no que diz respeito aos comportamentos. Na questão específica percebemos a importância de alertar a população específica, mas qualquer pessoa pode ser atingida por este surto“, afirmou Nuno Pinto ao Observador, lembrando que o sexo anal, com ou sem preservativo, assim como o sexo oro-anal e o sexo anónimo com múltiplos parceiros não são exclusivos dos homens que têm sexo com outros homens.

E na reunião que teve, esta quarta-feira, com o diretor geral de Saúde, Nuno Pinto alertou precisamente para esta questão de distinção entre comportamentos e grupos. Talvez por isso Francisco George, no Jornal da Noite da SIC, tenha feito questão de frisar que “não há grupos de risco”, mas sim “comportamentos de risco”.

“Frequentar essas saunas já leva, à partida, a comportamentos de risco”

O presidente da ILGA não ignora os números que mostram que este surto prolifera mais no grupo de homens gays e bissexuais e numa região específica (Lisboa e Vale do Tejo), daí que considere “importante alertar para os comportamentos de risco”.

Questionado pelo Observador sobre as saunas que existem espalhadas pela capital, Nuno Pinto respondeu que “frequentar esse tipo de saunas já leva, à partida, a comportamentos de risco”, desde logo pela questão da contaminação das águas. E lembra que a ILGA Portugal tem “tido um papel na prevenção”, distribuindo “preservativos e materiais informativos junto de bares e das saunas gay”.

Quanto ao chemsex “atividade sexual potenciada por substâncias químicas” — que é já tido como problema de saúde pública em países como o Reino Unido, o presidente da ILGA disse não ter dados sobre esta realidade, apenas relatos. “Pelo que podemos perceber esta realidade não está ainda muito presente cá. Mas temos de estar atentos.”

Nuno Pinto deixa ainda um alerta: “Pode haver pessoas com receio de contactar os seus médicos porque existem ainda muitas práticas discriminatórias nos cuidados de saúde”.

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