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Brexit

Juncker provoca Trump por apoiar Brexit: “Vou promover independência do Texas”

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Presidente da Comissão Europeia diz que o Brexit "não é o fim, mas um novo começo". Merkel centra-se nas migrações e diz que "valores da Europa não terminam nas fronteiras externas".

Merkel abre a porta a novos alargamentos na UE, a países dos Balcãs

Sem o Reino Unido, a vida continua. Os líderes da direita europeia lamentaram o Brexit, mas avisam que a Europa está viva e recomenda-se. No encerramento do Congresso do PPE — que termina esta quinta-feira em Malta — Angela Merkel evitou falar do Brexit e fez uma fuga para frente abrindo a porta a um novo alargamento. Se um sai, outros querem entrar. A chanceler alemã apela a que “pouco a pouco” sejam “criadas condições” para os países dos balcãs aderirem à União Europeia. Pouco antes, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, foi mais direto a comentar a saída do Reino Unido:

O Brexit não é o fim de tudo. Devemos entendê-lo como um novo começo, algo mais forte e melhor”.

Juncker acrescentou, num discurso aplaudido vigorosamente por Merkel, que “muitos gostariam que fosse o fim”. E concretizou: “Por exemplo, um presidente de um outro continente”. E depois provocou Donald Trump: “O recém-eleito presidente dos EUA está feliz pelo Brexit e pediu a outros países para fazerem o mesmo. Se ele continuar a fazer isso, vou começar a promover a independência de Ohio e Austin, no Texas.”

O presidente da Comissão Europeia desafia os 27 países que ficam na UE a “envolverem-se na discussão do futuro da Europa”, dando uso ao livro branco que criou para que os Estados-membros possam defender o que acham que está mal. Até para “depois não dizerem que a Comissão impõe e que é a culpada de todos os males da União Europeia.”

Jean-Claude Juncker afirma que é “fácil criticar a Europa” e “alimentar títulos de jornais”, mas avisa: “Nós com os eurocéticos temos de falar [e explicar-lhes que é melhor ficar na Europa], com os populistas não.”

“A Síria não faz parte da Europa, mas temos de agir”

A chanceler alemã, que voltou a ser das mais aplaudidas, optou por não valorizar o Brexit no seu discurso e falou do problema que mais a preocupa: as migrações. Angela Merkel alertou que “os valores europeus não terminam nas fronteiras externas da Europa.” A chanceler alemã quer “tomar as rédeas” do problema e explica que “a Síria não faz parte da Europa, mas isso não significa que não tenhamos de agir. Também sabemos que, se quisermos proteger nossas fronteiras, precisamos de uma força policial comum“. E questionou: “Estamos em Malta, um país tão próximo da África. Como é possível ignorar a África com ela tão perto da nossa fronteira?

Merkel destacou que “os valores da liberdade e da solidariedade são fundamentais” entre os 27 e que a União Europeia tem de “enfrentar os desafios com coragem”, alertando que é “importante ter em conta princípio da subsidiariedade “.

Numa hora e meia em que falaram as principais figuras do PPE, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, lembrou que, na quarta-feira, quando recebeu a carta de Theresa May a oficializar o Brexit, percebeu que há “uma coisa positiva”. Aquele ato, acredita o antigo primeiro-ministro polaco, fez da União Europeia “um grupo de 27 países mais determinados e unidos” e defende que a “unidade” é a chave do futuro da Europa.

O italiano Antonio Tajani, no seu primeiro Congresso do PPE como presidente do Parlamento Europeu, começou por dizer que a Europa “vive tempos difíceis” como o “terrorismo, as migrações e o Brexit”, mas acredita que a UE vai “ser vencedora nos próximos anos.” A união de todos os países é indispensável, já que é “impossível a qualquer país europeu competir, sozinho, com os EUA, com a Rússia ou a China”.

Tajani fez um discurso em que elogiou o trabalho de Merkel na Alemanha e afirmou que continuará no Governo alemão após as eleições de setembro. A chanceler sorriu ao mesmo tempo que com os headphones da tradução tentava acompanhar o inglês tosco (e o italiano) de Tajani.

O novo presidente do Parlamento Europeu pediu uma resposta unida contra o “blá,blá, blá do populismo”, mas minutos depois fez uma saudação ao presidente do seu partido (Forza Italia), Sílvio Berlusconni, que seguia aparentemente muito atento a sessão. O presidente do Parlamento Europeu elogiou ainda Mariano Rajoy, dizendo que o primeiro-ministro espanhol “fala pouco, mas faz muito“.

“A Europa é o melhor lugar do mundo”

Mariano Rajoy foi um dos chefes de Governo a falar durante a manhã no Congresso, dizendo que o momento que a Europa tem vivido nos últimos anos “foi dos mais duros, devido à crise”. Porém, acredita que “a Europa saiu mais forte” dessas dificuldades. Rajoy alertou que os europeus vivem hoje com “o fantasma do populismo”, mas acredita que é fácil desmascará-lo já que “nunca um partido populista deu benefício ao seu povo quando chegou ao poder“.

Rajoy pediu aos partidos da direita europeia que “falem bem da Europa” e que “expliquem as vantagens deste grande projeto europeu”. O chefe de Governo espanhol considera que “a Europa é o melhor lugar do mundo, em temos de democracia, liberdade e direitos humanos”. Lembra que “ninguém tem sistemas de saúde, educação e proteção social como a Europa e por isso todos querem imitá-la.” Quanto ao caminho a seguir, Rajoy defende que tem de ser “com determinação e sério”. E conclui: “A única coisa que funciona na vida a médio e a longo prazo é ser sério“.

O candidato presidencial francês François Fillon, a braços com uma investigação judicial e um problema de ética e seriedade, não marcou presença no Congresso do PPE em Malta. Pedro Passos Coelho não esteve presente, como estava previsto, por assuntos de natureza pessoal.

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