A relação com a Polícia Judiciária na investigação ao desaparecimento de Madeleine McCann “é melhor do que nunca”, garantiu hoje o diretor-geral adjunto da Polícia Metropolitana, Mark Rowley.

“Fico satisfeito por dizer que a nossa relação com os investigadores portugueses é melhor do que nunca e isso está a dar dividendos no progresso que estamos a fazer”, afirmou, num comunicado emitido a propósito do 10º. aniversário do incidente.

Madeleine McCann desapareceu poucos dias antes de fazer quatro anos, a 03 de maio de 2007, do quarto onde dormia juntamente com os dois irmãos gémeos, mais novos, num apartamento de um aldeamento turístico, na Praia da Luz, no Algarve.

Embora o inquérito não esteja num momento crucial, e a polícia britânica continue sem saber se a criança está viva ou morta, Rowley considera que esta é uma altura em que se pode refletir sobre uma “investigação que atraiu uma cobertura e interesse mediáticos sem precedentes”.

O responsável admite que “a dimensão da escala e a complexidade de um caso como este acarreta os seus desafios, especialmente aprender a trabalhar com colegas que operam num sistema jurídico muito diferente”.

Porém, garantiu, a relação com a Polícia Judiciária “é boa”, garantindo que as duas forças continuam a trabalhar justas e que a cooperação está a fazer avançar a investigação.

A “Operação Grange” foi aberta em 2011 para reavaliar todos os documentos e informações relacionadas com o caso, evoluindo no ano seguinte para um inquérito formal.

A Metropolitan Police, além de ser responsável pela segurança na área metropolitana de Londres, tem também a responsabilidade no combate ao terrorismo, a proteção de personalidades e é frequentemente encarregue de missões e casos com nível nacional.

Dos 29 detetives que inicialmente envolveu restam apenas quatro dedicados ao caso.

Ao todo, terá revisto mais de 40.000 documentos, muitos dos quais tiveram de ser traduzidos de português para inglês, recolhidos 1.338 depoimentos e 1.027 objetos, determinadas 7.154 diligências e identificadas 560 linhas de investigação, tendo sido enviadas mais de 30 cartas rogatórias internacionais.

A polícia britânica afirma ter investigado mais de 60 “pessoas de interesse”, considerado um total de 650 criminosos sexuais e averiguados testemunhos de 8.685 potenciais avistamentos de Madeleine em todo o mundo.

Fez ainda quatro apelos na televisão britânica e alguns também noutros países, que tiveram uma “resposta pública fantástica”, com milhares de telefonemas e informações, que ajudaram a polícia numa série de averiguações, revelou o responsável.

Em 2013, a polícia identificou quatro indivíduos considerados suspeitos, o que resultou em interrogatórios na esquadra policial de Faro com a ajuda da Polícia Judiciária local e nas buscas em terrenos baldios perto da Praia da Luz.

Porém, as averiguações não encontraram qualquer prova que pudesse implicar os indivíduos no desaparecimento, por isso já não são objeto de mais investigações.

A Polícia Metropolitana pediu fundos adicionais no início deste ano e recebeu 85.000 libras (100 mil euros) para serem gastos nos seis meses entre abril e setembro deste ano, confirmou na altura o Ministério do Interior britânico.

“Nós sabemos que temos o financiamento [suficiente] para olhar para a inquirição focalizada que estamos a fazer”, assegurou.

Desde 2011, estima-se que esta operação tenha custado mais de 12 milhões de libras (14 milhões de euros).

Mark Rowley reconheceu estar desiludido com a falta de uma explicação para o que aconteceu, mas defendeu a reabertura da investigação.

“O trabalho levado a cabo pelos agentes portugueses e pela polícia Metropolitana na análise do material e reabrindo a investigação tem sido bem sucedido, concluindo uma série de linhas de interesse. Esse trabalho providenciou respostas importantes”, vincou.