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Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, assegurou esta sexta-feira que a língua inglesa está a perder importância por causa do Brexit. Juncker falava num conferência em Florença, num discurso feito quase inteiramente em francês.

Estou a hesitar entre o inglês e o francês, mas fiz a minha escolha, vou expressar-me em Francês porque lentamente, mas de forma clara, o Inglês está a perder importância na Europa”, disse Juncker, natural do Luxemburgo na conferência, seguido de aplausos.

No mesmo discurso, o presidente da Comissão Europeia disse que a decisão dos “amigos britânicos” de sair da União Europeia é uma “tragédia”. Em informações divulgadas pelo jornal alemão Frankfurter Allgemeiner Sonntagszeitung, Juncker já teria dito num jantar com May que as negociações do Brexit não seriam de sucesso.

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Ainda assim, na conferência desta quinta-feira, Juncker garantiu que vai exercer o seu papel nas negociações. “Vamos negociar de forma justa com nossos amigos britânicos, mas não vamos esquecer que a UE não está a abandonar o Reino Unido, é o contrário, e isso fará a diferença nos próximos anos”, apontou Juncker.

No entanto, podemos estar certos de que o Brexit inevitavelmente acarretará uma série de consequências negativas, não se trata de uma punição que simplesmente segue logicamente a escolha feita pelo povo britânico”, acrescentou ainda o presidente da Comissão Europeia.

A tensão entre o Reino Unido e a União Europeia não para de crescer. Ao longo das últimas semanas, representantes da União Europeia e a primeira-ministra britânica, Theresa May, tem vindo a acusar-se mutuamente.

Na passada quinta-feira, Donald Tusk, o presidente do Conselho Europeu, pediu à primeira-ministra britânica para controlar as emoções, acrescentando que as negociações do Brexti “já são difíceis o suficiente”.

Ou May controla as emoções ou Brexit torna-se impossível. A UE também respondeu à primeira-ministra inglesa

Donald Tusk fez este pedido de calma depois de Theresa May ter acusado a União Europeia e a imprensa de tentarem influenciar as próximas eleições gerais do Reino Unido, agendadas para dia 8 de junho. O pedido de dissolução do Parlamento foi entregue, na quarta-feira, por Theresa May à rainha Isabel II, o que marca formalmente o início da campanha eleitoral mas as negociações do Brexit deverão começar antes das eleições.