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“Prey”, o terror no espaço

"Prey" é o mais recente jogo da Bethesda, um blockbuster de terror que pode falhar no objetivo principal que assume: assustar os jogadores.

Prey/Bethesda Softworks

Primeiro e acima de tudo: tenho jogado este “Prey” da Arkane Studios e Bethesda quando posso, entre outras obrigações. Porque a verdade é que fraldas sujas são irritantes e desconfortáveis, portanto neste momento da minha vida um jogo que pede concentração, que exige que se jogue com total empenho e que reclama pela nossa capacidade de nos embrenharmos na sua totalidade é a antítese do que deveria estar a experienciar. Mesmo assim, nos últimos dias consegui jogar o suficiente de “Prey” para no mínimo ter uma opinião bem ​formada sobre o mesmo.

Quando digo que passei os últimos dias a jogá-lo é porque foram mesmo os últimos, porque como é habitual por parte da Bethesda — e acredito que venha ser cada vez mais na indústria em geral — a nossa cópia do jogo apenas chegou no dia do lançamento. A Bethesda afirma que é porque quer que todos os jogadores tenham uma experiência inadulterada desde início. A mim parece-me que é porque não querem que más críticas influenciem as vendas dos primeiros dias. Quando se investe o que imagino que investiram neste jogo e se pede aos jogadores €60 por cada cópia, acho razoável a expectativa, apesar de não concordar.

Num parágrafo: este first-person shooter de survival Sci-Fi horror está acima da média dos seus competidores mais recentes. Tem um ambiente interessante e uma intriga que apesar de parecer banal vai-se tornando cada vez mais sedutora.

Tem uma jogabilidade decente na Xbox One (a plataforma de análise) assim como gráficos e cenários bem construídos. Onde ele se torna muito bom e onde está a sua marca diferenciadora é na interatividade. Em “Prey”, quase tudo é no mínimo tocável. Muitas coisas são utilizáveis e do mesmo modo tudo pode ser um inimigo porque Talos I foi invadido por um grupo de extraterrestres que podem imitar qualquer objeto — portanto uma ferramenta ou peça de mobiliário pode saltar para cima de nós a qualquer momento, qual facehugger a sair do ovo, mas menos épico que no clássico “Alien” de Ridley Scott.

Aqui apresentam-se dois dos meus problemas principais com “Prey”, sendo o primeiro a sua plataforma de teste. Pode ser que tenha tido mais influência do que gostaria de admitir, mas não consigo entender o fascínio de jogar FPS numa consola. Controlo com duplo analógico neste caso parece-me completamente antinatural, a casa dos shooters na primeira pessoa é o PC, com a utilização do rato. Mesmo assim, não é um ponto tão relevante como o segundo aspeto negativo: a falha na criação de um ambiente realmente assustador.

Lembremos o ambiente tenebroso de “Resident Evil” original, em que sempre que abríamos uma porta e entrávamos numa sala corria um arrepio na espinha; e suspirávamos de alívio quando percebíamos que não havia zombies ou cães escondidos em lado nenhum. O problema aqui é que tudo — literalmente tudo — pode ser uma ameaça para o susto. E quando tudo é uma ameaça, nada o é de verdade, porque estamos num estado de alerta constante que se torna a linha padrão: aquela garrafa, mesa, ou seja o que for que ganhou uma forma diferente não nos assusta porque já estamos à espera que possa atacar-nos.

“Prey” é quase um mundo aberto. Quase. Da mesma maneira que é um Door Opening Simulator 2017. Temos que ir do ponto A ao ponto B por várias razões. Para isso temos que passar uma porta e, para isso, há pelo menos duas opções: conseguir a “chave” ou encontrar um modo alternativo para o fazer. Não é um open world puro porque as opções​ são muito limitadas às habilidades que vamos ganhando. Nisso, e apesar de ir beber muito a fontes como “Perfect Dark”, “Half-Life”, “Doom” ou “Dishonoured”, onde ele vai tragar com sofreguidão é aos “Metroid Prime” da Nintendo, onde a solitária Samus vagueia por estações e planetas, explorando e investigando enquanto enfrenta inimigos ocasionais. Ora quem nunca jogou as obras primas que são estes “Metroid” vai achar que “Prey” é brilhante; mas para quem viveu aquelas aventuras, é simplesmente bom.

Reconheço em “Prey” várias qualidades, apesar de não apreciar o seu produto final. Se vale o que pedem por ele? Se gostam do género? Acredito que sim, mas há tanto por onde escolher nos dias de hoje.

João Machado, Rubber Chicken

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