“A maior Feira do Livro de sempre.” Foi assim que Bruno Pacheco, secretário-geral da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), descreveu a 87ª edição da Feira do Livro de Lisboa que, este ano, conta com um número recorde de marcas editoriais e de pavilhões. Para o evento, que se realiza entre 1 e 18 de junho, é também esperado um número recorde de visitantes: mais de meio milhão.

“Esta é a maior Feira do Livro de sempre, a todos os níveis: mais participantes, mais oito pavilhões do que na edição de 2016 e, entre chancelas e editoras, temos este ano 602 marcas editoriais participantes, quando no ano passado foram 586”, disse Bruno Pacheco durante a apresentação da Feira do Livro de Lisboa, esta terça-feira. Além disso, o evento terá melhorias logísticas, com novos espaços de restauração (nomeadamente de comida vegetariana), um fraldário (localizado na entrada sul) e um “refrescão”, uma zona pensada para os animais de estimação onde estes poderão descansar e beber água.

No que diz respeito à restauração, Pedro Pereira da Silva, diretor da Feira do Livro, explicou que o objetivo é ir ao encontro dos gostos e preferências alimentares de cada um. Já João Amaral, presidente da APEL, esclareceu que, apesar de nem todos verem com bons olhos a existência de espaços de comida no recinto, estes servem para satisfazer as necessidades dos visitantes e para oferecer condições para que estes passem o máximo de tempo possível na feira. Um estudo realizado pela organização em 2016 revelou que um visitante passa, em média, 2,3 horas entre as barraquinhas coloridas do Parque Eduardo VII. Um número que se espera que venha a aumentar.

Este crescimento também se traduz num aumento da zona ocupada do Parque Eduardo VII onde, mais uma vez, o evento será organizado. Além dos três talhões já ocupados no ano anterior (o parque é composto por um total de cinco), irá subir “mais meio talhão”, afirmou Bruno Pacheco, num total de três e meio. A APEL também espera que o número de visitantes chegue ao meio milhão.”No ano passado registaram-se 480 mil visitantes”, revelou o responsável, referindo que já houve um ano em que se chegou aos 500 mil. Uma fasquia que espera vir a ultrapassar em 2017.

Uma feira dedicada aos mais pequenos

Pela primeira vez na história da Feira do Livro de Lisboa, o evento vai abrir as portas no Dia Internacional da Criança, 1 de junho, logo pela manhã, às 10h, com um programa pensado para os mais pequenos. Este, criado com a ajuda das Bibliotecas de Lisboa, arranca às 10h30 com um concerto da Orquestra Tradicional da Casa Pia e uma parada de mascotes. Também durante a manhã, o Mural de Ilustração vai receber os ilustradores portugueses André da Loba, Paulo Galindro e João Rodrigues que, ao longo do dia, irão colorir a parede com imagens alusivas ao livro, à leitura e às bibliotecas.

Ao longo de todo o dia, serão realizados jogos tradicionais e de lógica, uma oficina de reciclagem e uma de ilustração. Esta tem por objetivo “aproximar a ilustração das crianças e do público em geral”, como explicou durante a apresentação desta terça-feira Susana Silvestre, responsável pelas Bibliotecas lisboetas. O Chapitô também marcará presença neste primeiro dia de feira com várias atividades de equilibrismo, malabarismo e aéreos, que o público também poderá experimentar.

De acordo com Susana Silvestre, das 80 iniciativas co-organizadas com as Bibliotecas de Lisboa, 26 irão acontecer logo no dia 1 até às 19h. Apesar de a maioria se centrar nesse dia, a programação inclui muitas outras atividades para as crianças. Uma delas chama-se “Acampar com Histórias” e vai dar a possibilidade às crianças entre os oito e os dez anos de dormirem em plena Feira do Livro (mais precisamente na Estufa Fria). Esta experiência, já realizada em anos anteriores, inclui uma visita ao recinto, um jantar e muitas surpresas e atividades, sempre acompanhadas de boas histórias. Pedro Pereira da Silva garantiu que a iniciativa tem tido “muito êxito” e que até está “a ser alargada a outras cidades do país”.

O regresso da “Hora H” e uma feira só de comida

As novidades deste ano incluem a “Cookbook Fair”, uma iniciativa que pretende celebrar e promover a gastronomia em livro. Neste âmbito, entre 1 e 4 de junho, a Feira do Livro vai ser palco de várias sessões de show cooking (num espaço equipado com uma cozinha profissional), nas quais os autores vão poder interagir com o público e apresentar as suas receitas. Além disso, as “Conversas com Sabor” vão trazer para a mesa de discussão temas relacionados com gastronomia e nutrição, apresentados por autores e especialistas no tema. Haverá ainda uma entrega de prémios, a 2 de junho, atribuídos por um júri presidido por Maria de Lurdes Modesto.

Mais uma vez estará disponível a aplicação móvel gratuita da Feira do Livro de Lisboa, para Android e iOS, através da qual os visitantes podem aceder ao mapa do recinto, pesquisar a programação, os livros do dia, autores, títulos e a sua disponibilidade, assim como acompanhar em tempo real as atividades e iniciativas do evento. Ainda no campo das novas tecnologias, a feira vai disponibilizar WI-FI gratuito nas principais praças do recinto e todas as suas atividades poderão ser acompanhadas através das redes sociais Facebook e Instagram.

À semelhança do que aconteceu na edição do ano passado, a feira irá ser visitada por editores estrangeiros (alemães, franceses e italianos) e haverá, como costume, uma “Hora H”, que permite a compra de livros publicados há pelo menos 18 meses com o mínimo de 50% de desconto. Esta acontece de segunda a quinta-feira na última hora da feira, entre as 22h e as 23h, a partir de dia 5. No ano passado, a “Hora H” teve uma adesão de 70% dos participantes. Em relação a este ano, ainda não existem dados concretos (a APEL ainda está a receber inscrições), mas “tenderá a aumentar”, adiantou o secretário-geral da associação livreira.

“O livro é cada vez mais um objeto frágil”

No dia 1 de junho, primeiro dia da Feira do Livro 2017, a APEL vai assinar um protocolo com a Câmara Municipal de Lisboa, com uma vigência de três anos. Segundo João Amaral, este permitirá à APEL programar as próximas edições do evento “com mais tempo e mais calma”, estabelecendo um subsídio anual de 120 mil euros, “isentos de taxas” e como valor “indicativo”. Este ano, o orçamento estimado da Feira do Livro é de 900 mil euros, com uma participação de 120 mil euros da parte da autarquia. “Sem a Câmara Municipal de Lisboa, não era possível realizar a Feira do Livro”, salientou o presidente da APEL.

Mas, para João Amaral, mais do que dinheiro, o protocolo é um incentivo importante numa altura em que o livro atravessa um período difícil. “O livro é cada vez mais um objeto frágil e delicado. A atividade editorial precisa de ser apoiada. Este protocolo representa um incentivo e é por isso que é muito importante”, salientou durante a apresentação desta terça-feira.

A inauguração da 87ª edição da Feira do Livro de Lisboa acontece no dia 1, às 15h, no Parque Eduardo VII. O evento pode ser visitado de segunda a quinta-feira, das 12h30 às 23h, às sextas-feiras, das 12h30 à meia-noite, sábados das 11h à meia-noite, e domingos e feriados, das 11h às 23h.