O candidato independente à Câmara Municipal do Porto, Álvaro Almeida, acusou este sábado o atual presidente da câmara do Porto, Rui Moreira, de ser “traidor”, populista, déspota e um independente sem enquadramento político e ideológico que não oferece confiança.

“Fez um acordo, ou um projeto comum, como lhe queiram chamar, com esse partido [Socialista] que incluía uma candidatura única, mas não resistiu a uma nova traição prescindindo do seu apoio. Negoceia lugares e oferece cargos à esquerda e à direita, conforme seja mais conveniente para a sua ambição pessoal. Em conclusão, governa conforme lhe apraz, sem orientação política, assente apenas no princípio de quem tem o poder, tem a razão“, declarou Álvaro Almeida, durante a sua intervenção no púlpito do Fórum da Maia, onde decorre a Convenção Autárquica Nacional do PSD.

Álvaro Almeida recordava o caso recente em que o movimento independente de Rui Moreira – Porto, O Nosso Partido ter anunciado que prescindia do apoio dos socialistas à recandidatura do autarca, e como consequência a 06 de maio Manuel Pizarro anunciou que ia ser o candidato do PS à Câmara Municipal do Porto nas próximas eleições autárquicas.

“Um independente deste tipo, sem enquadramento político e ideológico, não é confiável. Como os eleitores que nele votaram já se aperceberam e, mais recentemente, o PS veio a perceber”, referiu Álvaro Almeida.

Para o candidato social-democrata, a forma de atuar de Rui Moreira não é de independência. A “isso chamo populismo, aliás se forem ao dicionário, podem ver que essa é a definição de despotismo. Não é por acaso que ele tem trazido para o debate o regresso da ditadura para Portugal”, declarou o candidato independente, referindo-se a declarações proferidas a 4 de maio, e noticiadas pela Lusa, onde Rui Moreira considerava que o modelo de voto em Portugal é “completamente anacrónico” e avisava que o futuro poderia passar pelo regresso da ditadura ou da democracia direta ou pela reorganização dos partidos.

“Um independente deste tipo é um bom exemplo de como não pode haver democracia sem partidos políticos e, por isso, quando decidi intervir na política do Porto, não podia deixar de o fazer associado ao maior partido português. Associei-me ao PSD por afinidade ideológica e porque o PSD representa os valores que me caracterizam e que são os valores autênticos das gentes do Porto”, enumerando o “espírito solidário” e a preocupação com o próximo”, a defesa do trabalho e acima de tudo da “ética e da liberdade”.

Os candidatos do PSD às eleições autárquicas de dia 1 de outubro vão assinar hoje uma carta de sete compromissos, como o rigor na gestão e a transparência na decisão, e que vão entregar ao líder do partido durante a convenção autárquica nacional, evento que encerra esta noite com a intervenção do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho.

Na quinta-feira, a Comissão Política Nacional do PSD aprovou 58 acordos de coligação, 42 dos quais em exclusivo com o CDS-PP e apenas cinco com outros partidos.

Das 58 coligações aprovadas, apenas cinco não incluem o CDS-PP: em Leiria o PSD concorre coligado apenas com o MPT, na Covilhã (Castelo Branco), Felgueiras e Porto (distrito do Porto) avança coligado com o PPM e no Cartaxo (Santarém) apresenta-se às autárquicas em conjunto com o partido Nós, Cidadãos!.