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O concerto Juntos por Todos, montado em apenas uma semana e que juntou na noite desta terça feira 25 nomes da música portuguesa, angariou 1.153 milhões de euros, dinheiro que vai ajudar as populações atingidas pelo fogo que atingiu a região de Pedrógão Grande.

Salvador Sobral foi o último a atuar. E em vez de cantar primeiro “Amar Pelos Dois”, a canção com a qual ganhou a Eurovisão, apresentou antes uma versão de “A Case of You”, de Joni Mitchell. Só depois então se atirou ao sucesso entoado em coro pelos 14 mil que esgotaram o Meo Arena. Foi o último porque assim ditou a ordem alfabética do cartaz mas foi a despedida com a pontaria mais certa. O próprio, consciente da fama que coleciona por estes dias, fez o que tinha a fazer e disse: “Sinto que posso fazer alguma coisa que vocês aplaudem. Vou mandar um peido a ver o que vocês fazem”. Episódio que chegou rapidamente às redes sociais para todo o tipo de comentários:

https://www.youtube.com/watch?v=_cfS2rE0z8k

Rui Veloso, depois de “Primeiro Beijo”, deixou “um recado para os nosso políticos, que tanto falam, tanto pões as culpas nuns como põem nos outros”: “Já toda a gente ouviu essa conversa mas nós temos que nos unir e resolver a questão de uma vez por todas. O país e os Homens estão a ser destruídos.”

Rita Redshoes, que escolheu o tema “Mulher”, voltou a apontar o fundamental:

“Esta noite é muito bonita mas não podemos esquecer porque estamos aqui. Há responsabilidades políticas e individuais que têm de ser apuradas. Só isso é que devolve o respeito à memória dos que não ficaram cá. Como cidadãos temos que exigir justiça por essas pessoas.”

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“A tempestade há-de passar” é o primeiro verso de “Toma Conta de Mim”, a canção que Pedro Abrunhosa levou ao Meo Arena. “Que saibamos tomar conta uns dos outros nos momentos mais aflitivos da nossa vida”, disse a meio do tema: “A música acaba por ser um abraço invisível, mesmo com vontades e crenças diferentes”, confessou depois. Logo após Abrunhosa cantou Raquel Tavares: “Esta noite significa que as pessoas de Pedrógão não estão sozinhas. E prometemos que não nos vamos esquecer deles.”

“Juntos por Todos”: as reações ao concerto (e à piada de Salvador) nas redes sociais

“Estamos aqui porque quando é preciso as pessoas juntam-se.” Miguel Araújo cantou “Anda Comigo Ver os Aviões” e assumiu, depois, que para lá das canções, “as palavras falham nestes momentos”. Antes, foi a vez de Matias Damásio. E Paulo Gonzo cantou “Sei-te de cor”: “A música é sempre uma boa causa e ajuda a mudar as coisas. A música pode ajudar a cicatrizar a dor”.

Luísa Sobral, outra das vozes em cartaz, confessou que não estava previsto falar antes de cantar “Cupido” (acompanhada por Mário Delgado à guitarra) mas foi isso que fez:

“Normalmente, para um espetáculo deste tamanho são necessários alguns meses. Neste caso, foi tudo feito numa semana. Acabamos por ser nós a dar a cara. Eu dormi bem esta semana mas as pessoas que organizaram isto mal dormiram.”

E falou ainda sobre todos os músicos que não estiveram no Meo Arena mas que gostariam de estar.

“Afinal veio gente”, exclamou Sérgio Godinho, ao começar o dueto que protagonizou com Jorge Palma, num medley que juntou “Portugal Portugal”, do segundo, e “O Primeiro Dia”, do primeiro. “Há um ano estava a fazer um concerto em Pedrógão, na semana passada fiquei horrorizado. A prevenção… precisamos gastar o dinheiro que for preciso para que isto não volte acontecer”, disse Jorge Palma. Sérgio Godinho afirmou que “é sempre preciso lembrar os bombeiros”.

“Não é novidade que que os portugueses estão presentes quando são chamados a isso”, disse Luís Represas, depois de interpretar “Memórias de um Beijo”, dos Trovante, na companhia de João Gil.

Gisela João entrou em palco e pediu “vamos todos dançar pelos bombeiros portugueses”, quando começou a interpretação de “Sr. Extraterrestre”. “Acredito em todos os portugueses que estão aqui neste momento, acredito de coração”, disse a fadista. Hélder Moutinho fez questão de reforçar a necessidade de acabar com “alguns negócios que estão por trás disto tudo, de forma a que isto não aconteça”, referindo-se à “tragédia dos incêndios”. Gisela João recordou também a mensagem de uma bombeira, que integrava o batalhão do bombeiro que morreu durante o combate às chamas. “Ela queria fazer uma última homenagem a esse bombeiro, tive que me certificar que ela estava aqui.”

David Fonseca, natural de Leiria, lembrou que o choque sentido com a tragédia de Pedrógão Grande “não foi um choque regional”:

“Somos um país pequeno mas temos uma ideia de comunidade muito forte. Quando acontece algo isto que aconteceu temos uma extraordinária capacidade de ajudar.”

A fadista Carminho resumiu o espírito geral dos músicos que se apresentaram em palco, lembrando que estiveram todos ali para lá do que representam e do percurso individual de cada um: “Estamos aqui para ajudar a vida das pessoas que sozinhas não conseguem fazer a reconstrução.” Antes houve mais fado, com um dueto por Camané e Carlos do Carmo. O primeiro em palco foi Agir.

“Juntos por Todos”: 25 artistas em palco por uma única causa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, estiveram também na plateia do Meo Arena, que junta esta noite 14 mil pessoas, que já homenagearam com um aplauso de pé os bombeiros portugueses. Ferro Rodrigues afirmou: “É importante que estejamos juntos o ano inteiro e não apenas nestas ocasiões”.

No final, Manuel de Lemos, presidente das Misericórdias, entidade que fará a gestão e distribuição do dinheiro angariado, agradeceu a todos, agradecendo “a uma só pessoa, o Presidente da República, que representa todos os portugueses”.

Atuaram no concerto Juntos por Todos:

Salvador Sobral
Rui Veloso
Rita Redshoes
Raquel Tavares
Pedro Abrunhosa
Paulo Gonzo
Miguel Araújo
Matias Damásio
Luísa Sobral
Jorge Palma e Sérgio Godinho
Luís Represas e João Gil
Helder Moutinho
Gisela João
Diogo Piçarra
David Fonseca
Dama
Carminho
Carlos do Carmo e Camané
Áurea
Ana Moura
Amor Electro
Agir