O MillenniumBCP lucrou quase 90 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano. O banco destaca, contudo, que quando falamos num resultado recorrente, ou seja, excluindo efeitos excecionais, este cresceu para 559 milhões de euros, beneficiando do facto de se terem registado apenas metade das imparidades e provisões em relação ao ano passado (415 milhões) e de um aumento de 12,9% da margem financeira, para 678,5 milhões de euros.

A informação foi transmitida ao regulador do mercado (a CMVM) e está a ser apresentada esta quinta-feira, em Lisboa, numa conferência de imprensa com Nuno Amado e a restante comissão executiva do banco. O resultado líquido ficou acima das expectativas dos analistas do CaixaBI, que esperavam um lucro de 73 milhões.

A margem financeira beneficiou do facto de o banco ter reembolsado o que restava do empréstimo estatal, que acarretava juros pesados. Além disso, o banco está a conseguir obter margem na diferença entre o custo que paga para se financiar (BCE, depósitos, etc.) e os juros que cobra nos empréstimos que concede.

As comissões caíram ligeiramente, 1,9%, para 225,2 milhões – isto na atividade no mercado nacional. “Não há mais comissões a cobrar em Portugal”, adianta Nuno Amado. Nas operações internacionais, as comissões subiram quase 16% para 105 milhões. Em termos consolidados, portanto, o BCP ganhou mais 3,1% em comissões líquidas.

Por outro lado, os custos operacionais baixaram 7% entre os dois períodos, mas o facto de os salários do BCP terem sido “normalizados” — palavra de Nuno Amado — poderá criar um efeito de subida na segunda metade do ano.

“Desde 2014 as pessoas têm tido um corte salarial, em média, de 6% — 0% para quem ganha menos e até 11% para os salários mais elevados — para nós isto é a normalização do banco e uma mensagem para o exterior de que o banco, depois de ter reconhecido à cabeça os desafios que tinha e os ter enfrentado com vigor e de uma forma muito rápida terminou este caminho”, afirmou Nuno Amado, agradecendo aos colaboradores.

Nuno Amado deixou em aberto a possibilidade de, quando o BCP estiver em posição de distribuir dividendos aos acionistas, poderá em simultâneo promover um programa de pagamento de prémios para que os trabalhadores possam “amortizar” o esforço que foi feito nos últimos anos.

Aquilo que o banco considera resultados recorrentes diz respeito, simplesmente, à margem financeira somada das comissões e subtraída dos custos operacionais. Este registo subiu de 437 milhões nos primeiros seis meses do ano para 558,6 milhões de euros neste semestre. As operações internacionais contribuíram para os resultados do BCP com 87 milhões de euros, com destaque para a Polónia.

“Estamos num ano de transição, difícil, complexo mas estamos bem alinhados com os compromissos que temos para 2018”, afirmou Nuno Amado.

O banco deixa clara a ambição de gerar resultados operacionais (recorrentes) superiores a 1.000 milhões por ano, tendo já obtido 589 milhões nesta primeira metade do ano.

O resultado líquido acabou, contudo, por ser menor (os quase 90 milhões de euros) porque, no âmbito do processo de fusão do Banco Millennium Angola com o Banco Privado Atlântico, o Banco Millennium Angola foi considerado como operação em descontinuação em março de 2016. “Após a concretização da fusão, em maio de 2016, os ativos e passivos do Banco Millennium Angola foram desreconhecidos no balanço consolidado, tendo o investimento de 22,5% no Banco Millennium Atlântico, a nova entidade resultante da fusão, sido registado pelo método da equivalência patrimonial, e o seu contributo para os resultados do Grupo sido relevado nas contas consolidadas a partir do mês de maio de 2016”, explica o banco.

O banco registou, no segundo trimestre, cerca de 90 milhões de euros de custos com contribuições extraordinárias (fundos de resolução — europeu e nacional — e fundo de garantia de depósitos), dois terços dos quais em Portugal (e o restante na Polónia). É “desproporcionado”, diz Nuno Amado, em comparação com o que os bancos de outros países pagam pelos mesmos custos. “O Fundo de Resolução tem um alongamento do prazo do empréstimo porque a própria resolução do BES tinha uma cláusula que dizia que não poderia haver perturbação da estabilidade do sistema financeira. A decisão não foi nossa”, de ter havido um prolongamento dos prazos que o Fundo de Resolução recebeu do Estado.