“Morto.” no lugar de “Porto.” Os autocolantes começaram a surgir este fim de semana, espalhados por vários cantos da cidade do Porto. Em vez de escritos a azul, apareceram a branco e preto, colados em mupis ou em caixotes do lixo. E chatearam o presidente da câmara, Rui Moreira, que denunciou o caso no Facebook. É que “Porto.” é uma marca, criada há três anos, e os autocolantes que estão a surgir em plena pré-campanha eleitoral, estão a ser considerados uma “deturpação” ou “abuso” dessa marca da cidade. O departamento jurídico da câmara vai mesmo apresentar queixa contra autores desconhecidos, apurou o Observador junto de fonte do município.

A denúncia foi feita por Rui Moreira na sua página de Facebook, este domingo. “Nos últimos dias, estes autocolante têm sido colados na cidade. Não conheço os autores, que se dispuseram a produzir numa gráfica milhares deles. Não conheço quem os financia nem qual o fim que perseguem”, começou por dizer o autarca, sublinhando que não conhece os autores, mas que “presume” que tenham fins políticos e que estejam contra a sua candidatura.

Podemos presumir que isto tem a ver com as eleições e são meus adversários. Ou achar que não, e que são, simplesmente, cobardes que nada têm a fazer ao dinheiro”, diz.

Partindo desta premissa, Rui Moreira prossegue dizendo que quem que tenha criado estes autocolantes fê-lo porque “odeia o Porto”. “E odeia uma marca que procura maltratar por puro ódio e por aversão ao sucesso”, continua.

Nos últimos dias, estes autocolante têm sido colados na cidade. Não conheço os autores, que se dispuseram a produzir…

Posted by Rui Moreira on Saturday, August 5, 2017

A marca “Porto.” foi lançada a 29 de setembro de 2014, pelo executivo camarário liderado por Rui Moreira e desde então tem ganho vários prémios de design e publicidade em todo o mundo. “Exposta e aplaudida no México, Argentina ou Londres; copiada na Nova Zelândia, Colômbia e Alemanha, cobiçada em capitais de grandes países que nos pedem ajuda para aplicar sistemas como o nosso, esta é a nossa marca. Made in Porto. Adorada no Mundo, odiada, por cá, por alguns cobardes de duas caras”, remata o autarca portuense na mesma publicação naquela rede social.

Segundo apurou o Observador, sempre que é detetado algum “abuso” contra a marca Porto., o procedimento habitual é reportar o caso ao departamento jurídico da câmara, que analisa e faz depois queixa às entidades devidas. É o que vai acontecer neste caso, embora a queixa vá ser feita contra desconhecidos. Os polémicos autocolantes foram detetados apenas este fim de semana, estando os serviços de ambiente da câmara a proceder à sua limpeza, pelo que a queixa será feita nos próximos dias.

A câmara do Porto garante que nunca “cobrou” nada pelo uso da marca Porto. por parte de personalidades individuais e empresas, embora tenha havido alguns “excessos” na utilização daquelas cinco letras e um ponto a azul escuro com lettering arredondado. “Não há quaisquer royalties, desde que usem bem a marca”, diz a mesma fonte camarária.

Certo é que, em três anos, desde que a marca da cidade foi criada, nunca houve situações semelhantes. Mas também não houve eleições autárquicas desde então, a não ser agora (as últimas autárquicas foram há quatro anos, em 2013). Daí que, para o executivo camarário, os fins políticos sejam óbvios.

Além dos autocolantes com a mensagem “Morto.”, que a câmara de Rui Moreira associa “a movimentos à esquerda”, surgiram também há uns tempos outros autocolantes com imagens do presidente da câmara e com críticas aos parcómetros que estão a ser colocados em alguns locais de estacionamento da cidade. Mas esses, apesar de o modus operandi ser idêntico, a câmara associa a um “discurso mais ligado à direita”. Tudo, diga-se, na base da “adivinhação”.

Rui Moreira é re-candidato à câmara do Porto com o apoio apenas do CDS e do MPT – Movimento Partido da Terra , depois de em maio o PS ter decidido avançar com um candidato próprio, o ex-vereador Manuel Pizarro, na sequência de uma polémica entre o movimento independente de Rui Moreira e umas declarações da secretária-geral-adjunta do PS Ana Catarina Martins. Na corrida à câmara do Porto, para as eleições de 1 de outubro, estão, além de Rui Moreira e de Manuel Pizarro, o independente Álvaro Almeida, apoiado pelo PSD e pelo PPM, João Teixeira Lopes, pelo BE, e Ilda Figueiredo pela CDU.