O porta-voz dos talibãs, Zabiullah Mujahid, acredita que o Afeganistão se vai tornar um “cemitério” para as tropas norte-americanas se o presidente Donald Trump avançar com as promessas proferidas esta segunda-feira de enviar mais tropas para a região. Para Mujahid, essa estratégia não é “nada de novo”.

O presidente norte-americano discursou na segunda-feira sobre a atitude estratégica a ser tomada no Afeganistão, numa clara mudança de opinião. No passado, Trump bateu o pé para que as tropas fossem retiradas. Agora assume que a situação é delicada e que uma retirada rápida pode comprometer a estabilidade que se constrói há 16 anos – e, como tal, admite um reforço de tropas.

Nesse discurso, Trump acusou ainda o Paquistão de fornecer um ambiente seguro para criminosos e terroristas. Mujahid garantiu esta terça-feira que “se a América não retirar as tropas do Afeganistão, em breve o Afeganistão será um novo cemitério para esta super-potência”.

Os Estados Unidos ainda mantêm cerca de 8.400 militares no Afeganistão, sendo que em 2010 e 2011 chegaram a ter na região cerca de 100 mil militares (a contar com 5.000 enviados de países da NATO). Estas tropas ajudaram o exército afegão na guerra frente aos talibãs e outros grupos armados.

Um comandante talibã disse à AFP que Trump está a imitar “o comportamento arrogante” de anteriores presidentes, como George Bush. “Ele só está a desperdiçar soldados americanos. Nós sabemos como defender o nosso país. Não vai mudar nada”, disse.

Há gerações que combatemos esta guerra, não temos medo, estamos frescos e vamos continuar esta guerra até ao último suspiro.”

A guerra no Afeganistão começou a 7 de outubro de 2001, semanas após os ataques do 11 de setembro e já custaram a vida a 2200 militares norte-americanos e entre 25 e 30 mil civis afegãos, de acordo com missão de assistência das Nações Unidas na região. Pelo menos 1662 civis já morreram desde janeiro de 2017.

Apesar de Trump não ter avançado com números oficiais, vários órgãos de comunicação social escrevem que James Mattis, o responsável pela Defesa norte-americana, já recebeu autorização para enviar até 3900 militares.