A venda do controlo estatal brasileiro da Eletrobras, a maior empresa de energia do país, terminará em 2018 e excluirá tanto a gigantesca hidroelétrica de Itaipu, que o Brasil divide com o Paraguai, como usinas nucleares do país.

A informação foi divulgada esta terça-feira numa conferência de imprensa do Governo, depois do anúncio feito na noite de segunda-feira pelo Ministério de Minas e Energia sobre a alienação.

Se concluirmos que o projeto nuclear não pode ser privatizado e o da usina hidroelétrica de Itaipu, estes projetos vão ser separado do processo de vendas. No começo, Itaipu está fora do processo de desnacionalização”, disse o secretário-executivo do ministério, Paulo Pedrosa.

De acordo com o secretário, a participação brasileira na hidroelétrica binacional (50%) Itaipu não pode ser separada da participação do Paraguai (50%), tal como o tratado internacional que permitiu a construção e regula a empresa está acima das leis internas de cada país.

O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho, disse na conferência de imprensa que, apesar destas dificuldades, o assunto ainda terá de ser discutido dentro do Governo e com o executivo paraguaio.

Itaipu, construída no rio Paraná, na fronteira entre os dois países, é a segunda maior barragem do mundo graças à sua capacidade de gerar 14.000 megawatts em 20 turbinas. A participação do Brasil em energia hidroelétrica é exercida pela Eletrobras.

Já a Eletronuclear, uma subsidiária da Eletrobras que opera usinas nucleares na cidade de Angra dos Reis, tem atualmente uma capacidade de gerar 2.007 megawatts.

O grupo Eletrobras, com ações negociadas no mercado de São Paulo, Madrid e Nova Iorque, é a maior empresa de geração de energia elétrica na América Latina, com uma capacidade instalada de 45,390 megawatts (32% do Brasil) em 231 usinas hidrelétricas, capacidade térmica nuclear, eólica e solar.

O grupo é também líder na transmissão, com cerca de 61.000 quilómetros de linhas. O anúncio da venda do controlo foi bem recebido pelo mercado.