É o mais recente apelo público de líderes empresariais dirigido ao presidente norte-americano Donald Trump e ao Congresso: salvaguardem o DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals), conhecido como “lei dos sonhadores” e que garante proteção legal a filhos de imigrantes não documentados que tenham chegado aos Estados Unidos enquanto crianças e que estejam a trabalhar no país.

Trata-se de um pacote legislativo que pode custar ao país mais de 460 mil milhões de dólares (mais de 387 mil milhões de euros) do PIB norte-americano, estimam vários executivos de topo que contestam a medida.

Numa carta aberta, publicada na quinta-feira e assinada por mais de uma centena de líderes e altos cargos de empresas como Google, Facebook, Twitter, Apple e Amazon, os seus presidentes executivos (CEO) e principais responsáveis tecnológicos (CTO) reforçam que os “sonhadores são peça fundamental do futuro das empresas norte-americanas” e que a economia dos Estados Unidos só tem a perder milhares de milhões de dólares se estas pessoas perderem o seu estatuto de residência: “São parte da razão pela qual vamos continuar a ter uma vantagem competitiva global”.

A carta foi publicada no FWD.us, um grupo de apoio a imigrantes criado pelo líder do Facebook, Mark Zuckerberg, e toca nos números exatos: a saírem do país centenas de milhares de trabalhadores qualificados, os Estados Unidos perdem 460,3 mil milhões de dólares do PIB e 24,6 mil milhões em fundos que entram na Segurança Social e Medicare através do pagamento de impostos dos trabalhadores.

A carta refere ainda que “pelo menos 72% das empresas no top 25 da Fortune 500 têm sonhadores nas suas equipas”.

Uma reportagem do Politico que cita empregados da Casa Branca garante que o próprio presidente norte-americano, que prometeu durante a campanha “matar o DACA”, tem recuado e repensado a ideia em prol das quase 800 mil pessoas cujas vidas podem ser irreversivelmente afetadas caso o pacote legislativo seja revogado.