“Esta manhã telefonei ao Presidente Masoud Barzani para lhe dar os parabéns pelo referendo do Curdistão. Desejámos grandes sucessos um ao outro.” O Presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, utilizou o Twitter para anunciar assim as felicitações que enviou ao seu homólogo curdo no Iraque, a propósito do referendo à independência da região. Um gesto que não é imune ao facto de a Catalunha ir ter o seu próprio referendo à independência no próximo domingo.

Os dois atos eleitorais partilham algumas semelhanças, nomeadamente o facto de não serem reconhecidas pelos governos centrais dos países dos quais as duas regiões se querem separar, Espanha e Iraque. Contudo, como a Euronews explicou, há alguns elementos que distinguem as duas consultas eleitorais: o facto de o referendo curdo se basear no direito à independência de uma minoria étnica; a autonomia mais considerável de que os curdos já gozam no Iraque, em comparação com os catalães; a falta de mecanismos de transição criados para o caso curdo; a intervenção limitada de Bagdade face a Madrid; e, por fim, as fronteiras de cada região, já que a Catalunha é um espaço muito mais definido e a minoria curda está espalhada por vários países para lá do Iraque, como a Turquia, o Irão e a Síria.

Puigdemont, uma voz sozinha

Enquanto Puigdemont felicita Barzani, os restantes líderes mundiais são bastante mais críticos do referendo curdo. A começar por António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, que disse na passada segunda-feira, através do seu porta-voz, que o referendo tem “efeitos potencialmente destabilizadores” na região. “O secretário-geral respeita a soberania, integridade territorial e unidade do Iraque e considera que os outros assuntos entre o governo federal e o governo regional do Curdistão devem ser resolvidos através do diálogo”, declarou.

Também o executivo norte-americano, através do Departamento de Estado, disse estar “muito desapontado” com o facto de a votação ter ido para a frente. “Cremos que este passo irá aumentar a instabilidade e as dificuldades para a região do Curdistão e do seu povo”, disse a porta-voz Heather Nauert. A União Europeia e o Kremlin também deixaram clara a sua oposição ao referendo, por respeito à integridade territorial do Iraque.

As reações mais duras vieram da Turquia e do Irão, ou não fossem eles países que têm igualmente minorias curdas no seu território. O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou mesmo “fechar a torneira” do oleoduto por onde seguem as exportações curdas de petróleo para a Turquia e anunciou exercícios militares conjuntos com o governo iraquiano. Já o Irão, para além de considerar o referendo “ilegal”, acabou com todos os voos de e para o Curdistão iraquiano.

Turquia encerra fronteira e ameaça petróleo em represália a referendo curdo iraquiano

O referendo iraquiano contou com uma participação eleitoral elevada, de 72%, segundo avança a BBC. Os resultados oficiais só serão conhecidos daqui a alguns dias, mas a informação divulgada até agora de forma não oficial dá conta de que mais de 90% dos eleitores terão votado a favor da independência.