O carteiro toca sempre duas vezes mas, neste caso, a última ocasião veio em dose dupla: depois do desvio de Danilo do Sporting para o FC Porto, os leões voltaram a ser ultrapassados à última hora na luta por mais dois jogadores que estavam no Marítimo em janeiro de 2016. Um deles era José Sá (que o clube verde e branco veio mais tarde desmentir), o outro era Moussa Marega. Ambos acabaram no Dragão, algo que deixou também Jorge Jesus desagradado. E assim começou a história do maliano com o clube de Alvalade.

O avançado era um autêntico poço de força no ataque os insulares e já levava sete golos a meio da temporada. No entanto, os primeiros tempos de FC Porto não foram nada fáceis: jogou pouco, jogou muitas vezes mal e praticamente fechou a torneira finalizadora (a exceção foi um jogo com o Gil Vicente para a Taça de Portugal). No final da temporada, o empréstimo era mais do que evidente. E assim surgiu o V. Guimarães como novo desafio.

O maliano já estava no Minho quando viu uma das claques do Sporting, a Juventude Leonina, relembrar-se desse caso. “Mete o Marega”, lia-se numa tarja levantada durante o clássico com o FC Porto, que os leões venceriam por 2-1. Nuno Espírito Santo, o técnico que tinha dispensado o dianteiro, provavelmente nem reparou na farpa que estava ali patente. Mas a resposta não demoraria a ser dada: na deslocação a Guimarães, à sétima jornada, o conjunto de Jorge Jesus viu uma vantagem de 3-0 ser anulada com um bis do avançado. Mais tarde, na segunda volta, voltou a ser preponderante ao fazer o empate dos vimaranenses em Alvalade (1-1).

Marega regressou este ano ao FC Porto, a par de Hernâni, outro dos grandes destaques do V. Guimarães na temporada transata. E nem começou da melhor forma a época, ficando claramente relegado para suplente de Soares no ataque. No entanto, uma lesão muscular do brasileiro mudou tudo e o maliano chegou, viu e venceu: em oito jogos na Liga, já marcou cinco golos, fez outras tantas assistências e é pedra fundamental para Sérgio Conceição.

Desta vez, em Alvalade, o avançado ficou em branco. Mas pela força que deu ao ataque, pela superioridade que fez na defesa e pela bola que acertou na trave, foi um dos melhores em campo. Algo que, em agosto de 2016, ninguém parecia acreditar. E algo que provavelmente poderia levar a alguns lamentos recuando um pouco mais até janeiro de 2016.