Imagine que na sua comunidade existem crocodilos. Imagine que, duas semanas antes, uma mulher idosa desapareceu e, mais tarde, encontraram restos humanos num mar infestado de crocodilos. Imagine ainda que o seu grupo de amigos sugere ir dar um mergulho nesse mesmo mar. Parece pouco sensato, não é?

Foi isso mesmo, porém, que um grupo de amigos em Queensland, na Austrália, decidiu fazer, duas semanas depois de uma senhora de 79 anos ter desaparecido e terem sido encontrados objetos seus, bem como restos humanos, junto ao porto Douglas Marina. No entanto, ao grupo de amigos não lhes bastou nadar no mar – enfiaram-se dentro de armadilhas iscadas para crocodilos e celebraram o “momento” com uma série de fotografias, partilhadas no Facebook. A proeza gerou controvérsia na Austrália e, de acordo com a mayor do condado de Douglas, valeu-lhes uma candidatura a “idiotas do século”.

À ABC Radio, a mayor, Julia Leu, disse que estava “completamente surpresa” e questionou-se se “estes companheiros estariam a competir para o prémio de idiotas do ano ou idiotas do século”. Segundo a mayor, a área é um conhecido habitat de crocodilos.

Steven Miles, ministro do ambiente de Queensland, disse que já viu “coisas bastante ridículas” enquanto ministro, mas que esta “leva o bolo”. Apesar de dizer num tweet que é ilegal nadar nas armadilhas para crocodilo, Miles referiu a jornalistas que o ato apenas é “estúpido” e que “não se pode tornar ilegal tudo o que é estúpido”.

O governo de Queensland introduziu há pouco tempo multas acima de 15 mil dólares para quem interferir deliberadamente com uma armadilha após pessoas terem sido apanhadas a brincar com uma jaula no norte da região. O Departamento do Ambiente e Proteção do Património já lançou uma investigação ao caso.