Acredita que Trump é o líder de um movimento revolucionário à escala global que será lembrado ao nível de Abraham Lincoln e Ronald Reagan, que os supremacistas brancos não são para serem levados a sério e que a saída da Casa Branca lhe deu mais liberdade para defender a agenda de Donald Trump. Numa entrevista ao New York Times, o controverso ex-conselheiro político de Donald Trump, Stephen Bannon continua a defender Trump e antecipa uma revolução contra as elites nos Estados Unidos: à direita e à esquerda.

Stephen Bannon sempre foi uma figura que teve tanto de obscura como de controversa. Líder do site Breitbart e posteriormente gestor da campanha de Donald Trump, é considerado um dos obreiros da vitória nas presidenciais de Donald Trump há cerca de um ano. Chegou a ser conselheiro político do Presidente, mas não durou muito no cargo, devido às guerras dentro da própria Casa Branca. Ainda assim, não deixa de defender Donald Trump.

“Eu sou a única pessoa no circulo próximo de Trump que acredita que ele é uma verdadeira figura revolucionária global e é. Eu acredito na sua grandeza. Donald Trump tem grandeza dentro de si. Se mantiver o seu plano, se se cingir ao que prometeu ao povo americano, vai ter de andar sob fogo, terá muitos dias maus, mas no fim ganhará a reeleição com 400 votos no colégio eleitoral. Será lembrado no panteão com Lincoln, Reagan e outros”, afirmou.

Stephen Bannon está agora de regresso ao Breitbart, onde diz que pretende continuar a dar força à agenda que ajudou Donald Trump a ser eleito e a apoiar o Presidente. Lá, diz, não está tão limitado pelas regras que se aplicam aos funcionários da administração – regras que concorda que existam -, porque pode usar todas as armas que tem à sua disposição. E é o que pretende fazer.

Sobre a revolução que antecipa, Bannon diz que Donald Trump “é o líder do movimento”, que qualifica como uma “revolução populista nacionalista contra uma elite globalista do partido republicano” e antecipa que algo semelhante aconteça à esquerda, do lado democrata. Até lá, está determinado em garantir que esta ‘revolução’ ganha força, com a criação das instituições necessárias.

Sobre Donald Trump, Stephen Bannon faz ainda uma comparação – em jeito de elogia – no mínimo inesperada. “Pessoas como Barack Obama, pessoas como Donald Trump, só surgem uma vez em cada geração”, disse.

Supremacistas brancos são ridículos

Questionada sobre o crescimento de movimentos nacionalistas brancos, e de uma eventual força que Donald Trump lhes possa ter dado com as suas posições e reações a determinados incidentes, como foi o caso do ataque em Charlotsville, Stephen Bannon foi particularmente duro para com estes grupos xenófobos.

“O ‘Etnonacionalismo’ é ridículo. É absurdo. Essas pessoas são, na verdade, personagens criados pela imprensa generalista e liberal. Eles são meia dúzia. Ninguém os leva a sério e não podem ser levados a sério porque não são pessoas sérias”, afirmou.

Bannon defendeu que o que une o seu movimento é o conceito de nacionalismo económico e que esse não exclui com base em raças ou etnias, mas sim por nacionalidade, e diz mesmo que quem tem sido mais prejudicado não é a classe trabalhadora branca, mas sim os hispânicos e afroamericanos.

“O nacionalismo económico é o que nos une. O que quero dizer com isto é: não importa qual é a tua raça, qual é a tua etnia, qual é a tua cor, qual é a tua religião, qual é o teu género ou qual é a tua preferência sexual. O que importa é que és cidadão dos Estados Unidos da América. Devias ter prioridade, não devias ser o último na fila e não devias pagar por tudo o resto. (…) As pessoas que tem sido mais afetadas negativamente pela globalização neste país são os hispânicos e afroamericanos da classe trabalhadora neste país” afirmou.

Conluio com a Rússia? Fake news

Sobre a possibilidade de ter existido conluio entre a campanha de Donald Trump e o Kremlin para ganhar as eleições presidenciais de 2016, Stephen Bannon responde de imediato que a história não passa de uma falsidade.

Stephen Bannon não acredita que possa ter havido conluio e diz que a campanha nem sequer se conseguia coordenar com os seus apoiantes no Pensilvânia ou com o Partido Republicano, quanto mais com os russos. Admite que a campanha de Trump tinha alguns elementos “marginais” quando chegou, mas que até os crimes que são imputados a Paul Mannafort são crimes financeiros e não parecem estar relacionados com a campanha.

O antigo gesto de campanha de Donald Trump garante que nunca defendeu que Robert Mueller, o procurador especial que lidera o caso, fosse despedido, e que quem tiver praticado crimes deve ser acusado, mas que o inquérito de Mueller deve ser limitado na sua abrangência e no tempo que tem para investigar.

Bannon acredita ainda que este caso não passa de uma tentativa dos democratas de tentarem anular o resultado de 2016 e desafiou qualquer democrata a apresentar um caso credível de que houve conluio com a Rússia e de que Clinton devia ser presidente: “O meu ponto é diferente. Estão a dizer que a eleição virou devido ao envolvimento russo. É uma treta. E quero que um democrata se sente aqui e apresente um caso coerente hoje de porque ela [Hillary Clinton] deveria ser presidente dos Estados Unidos”, disse.