Depois das queixas em off, uma posição oficial em on: o Benfica contra-atacou em mais uma semana muito marcada pelas conversas extra quatro linhas no futebol português e veio pedir, através de uma nota oficial publicada no site oficial do clube, a demissão de José Manuel Gião Falcato, juiz do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) que avaliou os recursos interpostos por Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, e Nuno Saraiva, diretor de comunicação dos leões (e que decidiu reduzir as penas em ambos os casos).

“Confesso adepto do Sporting, preferência que partilha sem pejo nas redes sociais, José Manuel Gião Falcato é também um dos juízes do Tribunal Arbitral do Desporto, cujos membros estão obrigados ao preenchimento de uma declaração de independência e imparcialidade, em respeito às regras e aos princípios do Estatuto Deontológico do Árbitro do TAD. Apesar do assumido fervor clubístico, este juiz analisou processos de recursos interpostos pelo Sporting e que, concretamente, resultaram em despenalizações de castigos aplicados ao presidente, Bruno de Carvalho, e ao diretor de comunicação”, começou por referir, já depois de ter circulado uma imagem de uma publicação feita no Facebook onde o juiz dizia que era “sempre verde, com ou sem cachecol”.

“Mais: na polémica decisão que despenalizou Bruno de Carvalho não só foi juiz como relator do processo, contrariando a decisão tomada pelo Conselho de Disciplina e considerando que os insultos proferidos pelo dirigente a um funcionário do Gil Vicente configuraram uma ‘simples violação do dever de urbanidade'”, pormenorizou.

“Enquadrado o caso e as circunstâncias, uma questão que se coloca com gravidade neste contexto é: como é que José Manuel Gião Falcato terá preenchido a referida declaração de ‘independência e imparcialidade’? Os factos são conhecidos e o disposto no artigo 4.º do Estatuto Deontológico, onde se detalha o dever de revelação de um árbitro do TAD, só torna ainda mais óbvio que José Manuel Gião Falcato não tem condições para continuar a exercer funções de juiz e deve ser imediatamente destituído”, salientou a nota emitida no site que tem como título “Como é que o juiz Falcato preencheu a declaração de independência e imparcialidade?”

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“Por muito menos houve quem assumisse de imediato a decisão de se demitir, sendo que no caso que diz respeito ao juiz Falcato é completamente posto em causa o princípio da isenção e idoneidade sobre as suas decisões. A credibilidade daquele tribunal exige a cessação de funções”, concluiu.

Uma notícia, a defesa, muitos ataques: o filme da renúncia de Miguel Lucas Pires do TAD

Já na quarta-feira à noite, no programa “Verde no Branco” da Sporting TV, Nuno Saraiva tinha abordado o tema, fazendo questão de separar as posições de José Manuel Falcato e Miguel Lucas Pires, juiz do TAD que se demitiu na semana passada após um polémico pedido de bilhetes revelado pela revista Sábado.

“Sem que nada o obrigasse, [Falcato] declarou que é sócio do Sporting com o número 8.098. Maior declaração de honestidade e idoneidade não poderia haver e isto foi uma coisa que Miguel Lucas Pires nunca fez nos processos que envolviam o Benfica. E manteve-me ‘condenado’ pelo TAD, porque não há uma absolvição mas sim uma redução. Lucas Pires é o juiz do TAD que ilibou o Benfica no caso dos vouchers, é comparar o incomparável”, referiu.