A vaga de denúncias de assédio sexual atingiu o senado norte-americano. A locutora de rádio e modelo Leeann Tweeden acusou esta quinta-feira o senador democrata do Minnesota, Al Franken, de a ter beijado e apalpado sem consentimento, durante um tour do USO (United Service Organizations) pelo Médio Oriente em 2006. De acordo com o Washington Post e o New York Times, o senador pediu desculpas assim que a também atriz revelou que Al Franken, na altura ator e comediante, tentou beijá-la à força durante um ensaio e que a apalpou enquanto ela dormia, posando para a fotografia.

Al Franken emitiu um comunicado onde revelou que não recorda o episódio do beijo forçado no ensaio “da mesma maneira”, mas não deixou de enviar as “mais sinceras desculpas a Leeann”. O senador — que chegou a ser apontado como candidato presidencial — desculpa-se também pelo apalpão e ter posado para a fotografia: “Quanto à foto, eu claramente queria ser engraçado, mas não teve piada. Eu não o deveria ter feito.”

Tweeden contou a história na primeira pessoa na rádio KABC, em Los Angeles. Tudo aconteceu em dezembro de 2006, dias antes do Natal, quando contracenou com Franken — então “apenas” um comediante famoso — em representações criadas para divertir as tropas norte-americanas na quadra natalícia.

Sobre a cena do beijo, Tweeden conta que “afastou imediatamente” Al Franken, batendo-lhe com “as mãos contra o peito” e avisou-o que “não voltasse a fazer isso novamente”. Depois, a locutora afastou-se, e “tudo o que pensou era chegar à casa de banho o mais rápido possível para tirar o sabor dele da boca”. A também modelo confessa que se sentiu desde logo “desgostosa e violada”. Quando viu mais tarde a imagem, sentiu-se “novamente violada” e “humilhada” e questionou: “Como é que alguém se atreve a pegar nas minhas mamas assim e acha que é engraçado.”

A onda de denúncias já tinha chegado ao Congresso, quando a senadora Jackie Speier revelou que tinha conhecimento que pelo menos dois colegas seus ainda em exercício no cargo tinham assediado mulheres. Tweeden revelou que a senadora foi para ela uma “inspiração” e que revelou o seu caso para que “todas as outras vítimas de agressão sexual possam denunciar imediatamente os seus casos, e não manterem as suas histórias — e a raiva que sentem — contidas durante anos”.

Outro dos casos de assédio revelado nos últimos dias envolveu o candidato republicano a senador do Alabama, Roy Moore, que é acusado de ter aliciado sexualmente várias adolescentes, incluindo uma rapariga de 14 anos quando ele tinha cerca de 30 anos. Nunca terá tido sexo com nenhuma, mas é acusado de lhes ter oferecido álcool — inclusivamnte copos de Mateus Rosé — e de as ter despido, beijado e apalpado. Donald Trump, que nunca o apoiou, diz que se as histórias forem verdadeiras, deve abandonar a campanha. Donald Trump, que nunca esteve ao lado de Moore, diz que se denúncias forem verdadeiras, Moore deve abandonar a corrida ao Senado.

EUA. Candidato a senador acusado de aliciar rapariga de 14 anos