Um grupo de 13 investigadores e académicos de várias universidades do país apresentaram esta quinta-feira um manifesto intitulado “Incêndios, territórios e fragilidade económica e social, pensar o país inteiro”. Os subscritores, que apresentaram o documento numa conferência de imprensa em Coimbra, anunciaram que tomaram a decisão de elaborar esta manifesto na sequência dos incêndios que têm assolado o país, com particular relevância neste ano.

Estes incêndios, dizem, “exigem uma tomada de consciência clara” de que existe uma ligação da tragédia com “a crescente fragilização e deslaçamento de grande parte do espaço nacional”. Por essa razão, o documento –assinado por uma série de nomes como o académico António Covas, o investigador José Castro Caldas ou o engenheiro Victor Louro — apresenta sete eixos concretos de ação, que pretendem produzir uma “alteração radical do modo como o país tem tratado o seu território”.

Entre as várias propostas, o manifesto pede uma intervenção de urgência para dar resposta à tragédia recente, mas também lança ideias para o futuro. Em concreto, os subscritores sublinham a importância de combater a desertificação do interior, a necessidade de reorganizar a floresta e a possibilidade de modernizar a agricultura familiar, à semelhança do que foi feito noutros países. “O desenvolvimento da agricultura só é possível com a coabitação de dois modelos, o da grande exploração e o centrado na agricultura familiar”, escrevem, reforçando que esta é uma questão “política”.

O documento relembra também a importância de valorizar os recursos do ecossistema florestal, de pensar a organização do território olhando para todo o país e de promover o maior envolvimento da administração pública. “O Estado”, dizem “tem ele próprio de assumir intervenções territorialmente integradas”, nomeadamente estabelecendo e reforçando a cooperação entre Governo e Câmaras Municipais.

De acordo com os promotores da iniciativa, o manifesto será entregue “às autoridades competentes”, bem como ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e ao primeiro-ministro, António Costa.