Foi a primeira vez que um jogo internacional de críquete foi interrompido por causas ambientais: este domingo, durante o Índia – Sri Lanka, em Nova Deli, dois atletas da equipa visitante tiveram de ser retirados do campo graças à poluição.

Suranga Lakmal e Lahiru Gamage abandonaram o jogo e não regressaram, por estarem a “vomitar continuamente”, explicou mais tarde o selecionador cingalês — e puderam ver na altura todos os espectadores presentes no estádio Feroz Shah Kotla.

Os elevados níveis de poluição que se fazem sentir na capital indiana, estima o britânico The Guardian, ultrapassam já uma dúzia de vezes os limites considerados seguros pela Organização Mundial de Saúde.

O incidente com os jogadores do Sri Lanka relançou o debate no país sobre se Nova Deli deve ou não continuar a poder organizar e acolher eventos desportivos durante os meses de inverno, que é quando os índices de poluição mais sobem, na capital e no resto do país.

O secretário do Conselho de Controlo do Críquete na Índia já veio dizer que “o agendamento de jogos em Deli durante esta altura do ano vai ser considerado”. Um dia antes, a quente, o presidente do mesmo organismo tinha reagido com menos diplomacia: “Se as 20 mil pessoas que estavam nas bancadas e os jogadores indianos não tiveram problemas… não terá a equipa do Sri Lanka exagerado um pouco?”.

De acordo com as próprias autoridades indianas, que já reconheceram que os níveis de poluição na atmosfera são já superiores aos registados durante a crise do smog em Londres, em 1952, naquele que ficou conhecido como um dos maiores desastres do género na História e que matou 12 mil pessoas, não é um exagero.

A capital indiana é uma das cidades mais poluídas do mundo e um estudo recente revelou que, só em 2013, morreram 1,4 milhões de pessoas no país por causa da poluição.